A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 04/11/2022

Segundo Émile Durkeim, sociólogo francês, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, observa- se que um ambiente patológico em crise rompe toda a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo. Infelizmente, no Brasil, existem diversas dessas situações de disfunção, dentre elas, a crescente crise da mobilidade urbana. Faz- se, então, pertinente debater acerca de tal assunto, considerando a inoperância estatal e suas consequências.

De início, há de se constatar a ineficaz ação do Poder Público enquanto mantenedora da problemática. Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende o dever do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação à baixa qualidade da infraestrutura das cidade para o transporte de carros e motos, além dos inseguros serviços prestados pelos ônibus e oferecidos pelas ciclovias.

Em segundo plano, conforme Nicolau Maquiavel, no livro “O príncipe”, para se manter no poder o governo se propõe à obrigação de operar e ter como objetivo o bem universal. Em contra partida, a lotação dos ônibus na cidade de São Paulo foi 23% maior no ano de 2015 em comparação com 2014, segundo dados da IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística). Diante de tal exposto, observa-se que existe um grande interesse público em usar o transporte coletivo, que se faz desconfortavél e periculoso, por conseguinte as pessoas preferem comprar seus próprios veículos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, urge a alteração estrutural para que a mácula seja resolvida. Assim, cabe ao governo federal, na figura do Ministério da Infraestrutura, porporcionar maior número de transportes públicos de qualidade, a fim de diminuir criticamente a dificuldade da mobilididade urbana causada pela excessiva quantidade de automóveis nas ruas. Tal programa deve ser custeado e aprovado pela Corte de Contas de cada estado, para entrar em vigor por meio da abertura de concursos públicos que determinarão quais motoristas e cobradores serão selecionados. Por conseguinte, elemento patológico, que Émile Durkeim prevê, seria resolvido.