A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 11/11/2022
“No meio do caminho tinha uma pedra”, trecho do poema escrito por Carlos Dummond de Andrade, é visto como uma metáfora para os obstáculos durante a caminhada da vida. Tal análise se encaixa facilmente no cotidiano da sociedade brasileira, vítima de inúmeros problemas sociais, tal como a crise na mobilidade urbana, que impossibilita indivíduos de se deslocarem devidamente. Com esse cenário, é necessário pontuar as causas deste problema, destacando o descaso governamental e o individualismo da população.
Inicialmente, é visível que a problemática da locomoção no Brasil é consequência da negligência estatal. Isso acontece, já que, como estudado pelo sociólogo Zygmund Bauman em seu conceito das Instituições Zumbis, o Estado nada faz para solucionar as mazelas que inviabilizam a promoção do bem comum. Diante disso, é nítido que o principal obstáculo para a solução da crise da mobilidade urbana é o Estado e seu governo, fazendo descaso dos problemas da sociedade e sem interesse em resolvê-los, assim, se tornando a “pedra no meio do caminho”, inviabilizando o acesso seguro e fluido aos meios de transporte e locomoção.
Ademais, outro fator contribuinte para tal problemática é o grande individualismo e egoísmo da sociedade. Nesse contexto, se cita o personagem mitológico Narciso, um homem orgulhoso que apaixonou-se por sua própria imagem em um lago e ali definhou até a morte, admirando seu reflexo. Com isso, a população brasileira se assemelha com Narciso diante de sua individualidade, já que muitos possuem a oportunidade de utilizar um transporte público e optam por não usar, ação que termina por inibir a fluidez da mobilidade urbana, aumentando o número de carros nas ruas e contribuindo para um congestionamento.
Por fim, tendo em mente os obstáculos da crescente crise da locomoção brasileira, é necessário combater esse problema. Poranto, é dever do Ministério da Infraestrutura, por meio de investimentos, melhorar os serviços de locomoção pública, abaixando o valor das passagens de ônibus e priorizando uma melhor configuração dos mesmo. Tudo isso, a fim de que mais pessoas escolham o transporte público em vez de usar seu próprio carro, assim, reduzindo a quantidade de trânsito trancado nas ruas brasileiras.