A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 11/11/2022
No limiar do século XX, com a influência do futurismo, o governo de Juscelino Kubitschek implementou a expansão industrial, tendo como marco a expansão rodoviária. Com efeito, tal atitude implantada pelo então presidente afeta os dias atuais, consequências do mundo pós-capitalismo e a inoperância estatal.
Diante de tal cenário, é evidente que o sistema de moderno em que ter é melhor que o ser, contribui para o agravante do tema. A influência midiática e de grandes empresas que incentivam ao consumo exacerbado refletem, por exemplo, no crescimento desproporcional de automóveis. Segundo o Observatório das Metrópoles os automóveis individuais cresceram cerca de 77%, em 2017, e a população 7,9%, uma diferença desproporcional, que impacta diretamente na mobilidade urbana. Diante dessa análise, há a necessidade de combater a influência ao consumo, uma vez que intensifica a problemática.
Outrossim, a ineficiência governamental em propor outras vias modais- ciclovias, hidrovias e ferrovias- estagna o país, o impede a usufruir de tecnologias modernas e a melhorar o ambiente social aos cidadãos. Sob tal óptica, o pensamento do filósofo empirista Locke “Onde não há leis não há liberdade”, relaciona-se com o atual sistema estatal, em que a falta de leis nas vias públicas impedem a liberdade de locomoção da sociedade brasileira e, consequentemente, na falha de garantir o direito de democracia. Dessa forma, fica evidente que a inoperância do Estado agrava o assunto, uma vez que não se responsabiliza em propor melhorias à população.
Infere-se, portanto, que o Ministério do Transporte em parceria com as mídias, através de políticas públicas, deve criar cartazes e propagandas que incentivam ao consumo consciente e sustentável, implementar transportes e vias intermodais para que o fluxo não se concentre em apenas um modal. Tais ações devem conscientizar a população dos impactos causados pela dificuldade da mobilidade e facilitar o acesso à locomoção no meio urbano.