A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/06/2023

No curta-metragem ‘‘Happiness’’, o autor Steve Cutts expõe - entre tantas coisas - tamanha dificuldade de locomoção no trânsito de uma megacidade. Em consonância com a ficção está a realidade de inúmeros cidadãos, já que o estigma associado a mobilidade urbana no Brasil ainda configura um desafio a ser sanado. Isso ocorre tanto pela estrutura precária dos transportes públicos quanto por suas raízes históricas e ideológicas. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida a fim de que a obra supracitada não mais reflita o contexto atual da nação.

Inicialmente, é válido frisar que há uma indiligência estatal no que tange a tal tema. Sob essa ótica, levando em conta dados elaborados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, nota-se que a baixa infraestrutura dos ônibus é a principal queixa dos indivíduos e que os impede de aderir tal sistema automobilístico, visto que, grande parte da população opta pelos carros. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, já que a Constituição de 1988 prescreve ser dever do Estado o pleno acesso da sociadade ao transporte público de qualidade. O que se ascende nesse cenário é o oposto e infere que os órgãos responsáveis tomem as medidas cabíveis.

Sob outro prisma, é oportuno comentar sobre as raízes que acentuam fortemente essa problemática, como por exemplo, o incessante desejo da maioria dos brasileiros de ter seu carro próprio. Essa arcaica ideologia persiste até os dias atuais e favorece enormes congestionamentos em áreas movimentadas. Desse modo, entra em vigor o conceito de carrocracia, que implica que as cidades favorecem mais os automóveis do que os pedestres, fazendo com que os mesmos insistam na luta por tal realização. No entanto, caso houvesse melhorias no sistema utilizado pela população, como as bicicletas, o número de carros nas rodovias seria reduzido. Nesse viés, o desenvolvimento das ciclovias seria uma solução viável.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que mitiguem os desafios para a mobilidade urbana no Brasil. Cabe as esferas governamentais realizar uma parceria em nome do transporte público de qualidade, visando melhorias que impliquem na diminuição do superlotamento dos ônibus e o aumento da segurança nesse meio, com a destinação de políticas públicas para esta problemática. A fim de que a população verde-amarela se locomova sem maiores impecícilos. Somente assim, será possível separar a ficção de Steve Cutts da atualidade brasileira.