A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/08/2023
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 reconhece a todos a liberdade de ir e vir, bem como o direito ao transporte. No entanto, o precário ce-nário de mobilidade urbana não garante, adequadamente, esses direitos à popula-ção, que está sujeita a engarrafamentos diários, poluição atmosférica e sonora, a-lém de acidentes rodoviários. Com efeito, tal conjuntura é reflexo do equivocado programa estatal de incentivo à compra de veículos. Por isso, evidencia-se a neces-sidade de reformular as políticas públicas de urbanização brasileira.
Nesse sentido, o Estado ensejou a crise na mobilidade urbana, na medida em que estimulou a aquisição de automóveis por meio da redução de tributos. Adema-is, desde o governo de Juscelino Kubitschek, investe-se na expansão da malha ro-doviária, em detrimento das ferrovias e das ciclovias. Por conseguinte, gera-se o movimento pendular, que consiste no deslocamento diário de pessoas que resi-dem em um município para outro, onde exercem profissão ou estudam. Acerca disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, nas gran-des capitais, mais de 40% das pessoas realizam o movimento pendular. Nesse viés, os engarrafamentos, acidentes veiculares e o movimento pendular decorrem da grande quantidade de automóveis particulares nas vias urbanas.
Além disso, consequentemente, há um aumento nos níveis de poluição atmos-férica e sonora. A respeito disso, um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambien-te (IEMA) demonstra que, no Município de São Paulo, os carros são responsáveis pela emissão de mais de 70% dos gases efeito estufa (GFF). Tendo em vista que se-us motores à combustão operam por meio de energia não renovável, a péssima política estatal de estímulo à aquisição de veículos, além de prejudicar o exercício de direitos relacionados à mobilidade urbana, não é economicamente sustentável.
Logo, a fim de aprimorar a mobilidade urbana brasileira, o Congresso Nacional, órgão do Poder Legislativo Federal, por meio de Plano Plurianual, deve aumentar os tributos para compra de automóveis. Do mesmo modo, deve reduzi-los para a aquisição de veículos alternativos de energia limpa, como bicicletas e patins elétri-cos. Destarte, construir-se-á uma sociedade onde os cidadãos poderão gozar, efeti-vamente, de um direito ao transporte digno e sustentável.