A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 04/10/2023
Como observado na obra “Cidadanias mutiladas”, de Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a população em sua totalidade. Contudo, é notório o ambiente antidemocrático estabelecido na mobilidade urbana no Brasil, haja vista a crescente crise no sistema de locomoção nas cidades. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a negligência estatal e a base educacional lacunar como pilares da problemática.
Sob esse viés, em primeiro plano, é preciso atentar para a inoperância das autoridades governamentais com a sociedade. Conforme o 5° artigo da Constituição Federal, é dever do Estado garantir o direito de ir e vir, visando a liberdade de locomoção dos cidadãos. Entretanto, ainda que legalmente assegurado, diversos desafios são enfrentados no deslocamento em centros urbanos, visto que os constantes engarrafamentos nas vias e a superlotação de transportes públicos precarizados dificultam a eficácia deste direito. Dessa maneira, torna-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, o ensino lacunar também é um grande impasse. Segundo Kant, a educação é o molde do cidadão e a existência de um problema social é devido a uma lacuna na base educacional. Essa brecha faz com que os jovens não tenham consciência de como resolver a crise na mobilidade urbana, pois o assunto não é debatido em aula. Assim, o problema insiste no futuro, uma vez que se a população não tem consciência da questão, não pressionarão os órgãos governamentais para resolvê-la. Desta forma, é preciso acabar com essa lacuna por meio de projetos de educação política nas escolas.
Portanto, urge que o problema seja dissolvido. Para isso, o Poder Público — responsável por executar as leis — deve criar projetos de lei, visando desprecarizar o transporte público, por meio da potencialização e construção de novas linhas de metrô no país, a fim de reverter essa inoperância estatal que se instalou na locomoção em vias urbanas no Brasil. Paralelamente, deve-se intervir na lacuna educacional e incentivar a população a utilizar o transporte subterrâneo em vez de carros. Desse modo, democratizando o direito de ir e vir, como dito por Santos, para todos.