A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 05/10/2019
O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade com um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Tal afirmativa reflete ao fenômeno crescente da crise hídrica no Brasil, a qual gera impactos tanto na saúde da população quanto na geração de energia, e é motivada pelo desmatamento e pela negligência social em relação ao uso consciente da água.
A princípio, é imprescindível destacar que a floresta tem um papel essencial na prevenção de secas, pois reabastece os lençóis freáticos e impede o assoreamento de rios. No entanto, desde a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, segundo o sociólogo Karl Marx, o mundo tem priorizado, demasiadamente, lucros em detrimento de valores humanos essenciais. Nesse sentido, o índice de desmatamento no Brasil aumentou muito, resultante do crescimento desordenado das cidades e do extrativismo. Verifica-se, portanto, uma expressiva diminuição das taxas pluviométricas e, consequentemente, da disponibilidade de água no país.
Outrossim, é possível atribuir o desperdício doméstico de água como um dos principais causadores dessa crise. Isso se dá porque a sociedade brasileira cultiva uma ideia de que a água é um recurso natural infinito. Porém, seu uso exacerbado, ao tomar banho ou lavar a casa por exemplo, pode causar sua escassez, prejudicando não só a sobrevivência humana, como também a geração de energia no Brasil, a qual é majoritariamente proveniente das usinas hidrelétricas. Tal fato, por ser pouco divulgado, contribui para a persistência da alienação populacional.
Sob esse viés, com o objetivo de mitigar esse quadro lamentável, é fulcral que o Estado reduza os índices de desmatamento, intensificando a quantidade e a fiscalização de reservas naturais, para que haja mais chuva para abastecer os mananciais. Junto a isso, a mídia deve propagar na televisão e nas redes sociais mais informações à respeito das consequências do desperdício de água e como evitá-lo, a fim de que o organismo proposto por Durkheim funcione adequadamente.