A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 06/10/2019
Elaborada pela ONU em 2015, a agenda dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propôs, entre outro pontos, a gestão consciente da água e integração de novas fontes de energia limpa até 2030. No entanto, 4 anos após esse acordo, poucos foram os investimentos do Brasil destinados a cumpri-lo, haja vista que milhões de pessoas ainda sofrem com a falta distribuição de água, além da dificuldade em diversificar suas fontes energéticas. Nesse sentido, esse fato está relacionado, sobretudo, a má gestão dos recursos existentes e ao pouco incentivo à pesquisas científicas no país.
Em primeira análise, ainda que o termo “escassez da água” ser frequentemente utilizado ao referir-se à carência desse importante recurso, ele não é condizente realidade brasileira. Conforme destacou o portal de notícias internacionais ‘Vestifinance", o Brasil é o país com maior reserva hidrológica do mundo, a qual conta com mais 43.000 metros cúbicos por pessoa. Assim, não se trata da ausência de água, mas da falta de infraestrutura para garantir que ela seja distribuída efetivamente para toda a sua população, especialmente, nas regiões que sofrem com crises hídricas e a seca. Como ilustração, a grande dificuldade na transposição do rio São Francisco, o qual foi elaborado em 1847, porém nunca foi totalmente concluído. Logo, é inadmissível que em país oficialmente democrático, o Estado não seja capaz de garantir integralmente o acesso homogêneo desse fundamental elemento a toda sociedade.
Outrossim, outro aspecto a ser considerado é a limitação nacional acerca do gerenciamento da sua energia. Visto que o país possui notável riqueza em bacias hidrográficas, além da predominância em planaltos no seu relevo, maior parte da eletricidade é proveniente de hidrelétricas. Entretanto, apesar de ser uma energia renovável, esse fato torna a sociedade dependente do índice de precipitação de chuvas o qual é variável e indeterminado.Dessa forma, urge a necessidade de estudos que possibilitem o aproveitamento do alto potencial do país na produção de energias alternativas como a energia solar, eólica e maremotriz, umas vez que seu clima e localização geográfica são estrategicamente favoráveis. Contudo, isso não acontece, pois, de acordo com a Academia Brasileira de Ciência, o dinheiro investido em pesquisas não chega nem a metade em relação aos países desenvolvidos.
Desse modo, para que o Brasil cumpra os objetivos propostos pela ONU para 2030, o Governo Federal deve criar um fundo de investimento direcionado financiar projetos que tornem possível o acesso da água a municípios do país, bem como diversificar a matriz energética por meio de pesquisas que viabilizem a implantação de energias limpas, com capacidade para aproveitar seu alto potencial climático e locacional. Com isso, será moldado um futuro mais sustentável e autossuficiente em relação a sua produção de energia, além de aumentar o bem-estar ao tornar a água mais distribuída.