A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 07/10/2019
Elaborada pela ONU em 2015, a agenda dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propôs, entre outros pontos, a gestão consciente da água e a integração de novas fontes de energia limpa até 2030. No entanto, quatro anos após esse acordo, poucos foram os investimentos do Brasil destinados a cumpri-lo, haja Vista que milhões de pessoas ainda sofrem com a falta de distribuição de água, além da dificuldade em diversificar suas fontes energéticas. Nesse sentido, esse fato está relacionado, sobretudo, à má gestão dos recursos existentes e ao pouco incentivo às pesquisas científicas no país. Em primeira análise, ainda que o termo “escassez de água” seja frequentemente utilizado a referir-se à carência desse importante recurso, ele não condiz com a realidade brasileira. Conforme destacou o portal de notícias russo “Vestifinance”, o Brasil é o país com maior reserva hidrológica do mundo, a qual conta com mais de 43.000 metros cúbicos por pessoa. Assim, não se trata da ausência de água, mas da falta de infraestrutura para garantir que ela seja distribuída efetivamente para toda a população, especialmente, nas regiões que sofrem com crises hídricas e a seca. Como ilustração, a grande dificuldade na transposição do Rio São Francisco, a qual foi elaborada em 1847, porém nunca foi totalmente concluída. Logo, é inadmissível que em um país oficialmente democrático, o Estado não seja capaz de garantir integralmente o acesso homogêneo desse fundamental elemento a toda sociedade. Outrossim, outro aspecto a ser considerado é a limitação nacional acerca do gerenciamento da sua energia. Em razão do país possuir notável riqueza em bacias hidrográficas, além da predominância em planaltos no seu relevo, a maior parte eletricidade é proveniente de hidrelétricas. Entretanto, apesar de ser um energia renovável, esse fato torna a sociedade dependente do índice de precipitação de chuva, o qual é variável e indeterminado. Dessa forma, hoje a necessidade de estudos que possibilitem o aproveitamento do alto potencial do país na produção de energias alternativas como a energia solar , a eólica e a maremotriz, uma vez que seu clima e localização geográfica são estrategicamente favoráveis. Contudo, isso não acontece, pois, de acordo com academia Brasileira de ciência, o dinheiro investido em pesquisa não chega nem a metade em relação aos países desenvolvidos.
Desse modo, para que o Brasil cumpra os objetivos propostos pela ONU para 2030, o Governo Federal deve criar um fundo de Investimento direcionado a financiar projetos que tornem possível o acesso da água a todos os municípios, bem como diversificar a matriz energética por meio de pesquisas que viabilizem a implantação de energias limpas, com capacidade para aproveitar seu alto potencial climático e locacional.Com isso, será moldado um futuro mais sustentável e autossuficiente em relação a produção de energia, além de aumentar o bem-estar ao tornar a água mais distribuída.