A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 26/10/2019
A primeira hidrelétrica brasileira, inaugurada no fim do século XIX, foi o prelúdio para que o país se tornasse um dos maiores produtores de energia advinda da água. Entretanto, as graves crises hídricas que o Brasil têm enfrentado no cenário hodierno evidencia a ineficiência e a vulnerabilidade da sua matriz energética, resultantes ora do descaso governamental, ora dos ínfimos investimentos no setor. Dessa forma, faz-se urgente o debate para que tal problemática seja minimizada.
A priori, convém ressaltar que, segundo um artigo publicado pelo portal Sputnik, em 2019, a má gestão dos reservatórios aquíferos, além do constante desperdício, são fatores preponderantes na escassez de água e influenciam diretamente tanto na geração de energia, quanto nas tarifas pagas pela sociedade. Tal conjuntura, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, configura-se quebra do “pacto social”, uma vez que o Estado não tem exercido sua função de garantir a infraestrutura básica para se viver dignamente, assim como não tem zelado por um dos recursos não renováveis mais valiosos à qualquer ser vivente.
Outrossim, consoante ao Atlas de Energia Elétrica, 2016, mesmo país tendo grande potencial para explorar outros tipos de fornecimento de energia limpa, tais como eólica e solar, mais da metade da demanda ainda é suprida apenas por hidrelétricas. Fica claro, desse modo, que o poder executivo tem desprezado financeiramente a atualização e a expansão da matriz energética, o que acarreta em uma infraestrutura obsoleta e instável, dada a dependência majoritária de apenas um modo de produção, e, por consequência, põe em xeque tanto o estado de bem-estar do indivíduo, quanto a segurança energética do país.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a crise hídrica brasileira. Para tal, é imprescindível a atuação conjunta do Executivo com o Ministério da Tecnologia. Ao primeiro, cabe otimizar da administração dos recursos hídricos, por meio de investimentos tanto na modernização de hidrelétricas, quanto na manutenção do sistema distribuição, a fim de majorar a eficiência e o controle do uso desse bem. Ao segundo, deve incorporar e expandir métodos alternativos de produção de energia, por intermédio da integração entre pesquisas de ponta e o potencial energético do país, com o fito de diversificar a matriz nacional, bem como reduzir o papel da água como agente propulsor predominante.