A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 29/10/2019

No início do século XXI, em grande parte do seu território, o Brasil passou por um período de clímax da sua deficiência energética, denominado apagão, decorrente da péssima estrutura de distribuição de energia somada às frequentes estiagens. Sob essa perspectiva, por alicerçar sua matriz energética em hidrelétricas, modo de obtenção de energia oscilante, o país tem enfrentado desde então constantes colapsos no fornecimento de energia, intensificados ora pelo descaso governamental, ora pelos ínfimos investimentos no setor.

A priori, convém ressaltar que de acordo com o Jornal da Universidade de São Paulo, em 2018, a carência de infraestrutura e de planejamento logístico são fatores preponderantes na crise energética brasileira, e acarretam em um sistema de produção e de fornecimento caro e ineficiente, o qual afeta toda a população. Sob esse viés, tal conjuntura, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, configura-se quebra do “Pacto Social”, uma vez que a sociedade tem despendido altos impostos ao Estado, e este, por sua vez, não tem cumprido sua função de transformá-los em serviços básicos eficientes, assim como tem deixado a nação em estado em pobreza energética.

Sob outro viés, consoante ao Atlas de Energia Elétrica, 2018, mesmo o país tendo grande potencial para explorar outros meios de produção de energia mais sustentáveis e constantes, seja pela diversidade de climas, seja pela sua posição geográfica, cerca de 70% da sua demanda ainda é suprida por hidrelétricas, fonte altamente dependente de fatores climatológicos aleatórios. Fica claro, desse modo, que o Poder Executivo tem desprezado financeiramente a atualização e a diversificação energética nacional, o que acarreta numa matriz instável e volátil e, por consequência, põe em xeque a segurança energética do país.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para evitar novos apagões no território nacional. Para tal, é imprescindível a atuação conjunta entre o Poder Executivo e o Ministério de Minas e Energia. Ao primeiro, cabe otimizar toda a infraestrutura energética do país, por meio de investimentos tanto na modernização das hidrelétricas em funcionamento, quanto na manutenção do sistema de distribuição, a fim de majorar o controle e eficiência desse modo de obtenção. Ao segundo, deve incorporar e expandir métodos alternativos de produção de energia, por intermédio da integração entre pesquisas de ponta e o potencial energético do país, com o fito de ampliar a matriz nacional, bem como reduzir o papel da água como agente propulsor predominante.