A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 30/10/2019

Na obra da dramaturgia brasileira “Narradores de Javé”, é retratado o drama de um povoado prestes a desaparecer por consequência da construção de uma usina hidroelétrica na região. Nesse contexto, os habitantes do local se mobilizam em prol da construção de um livro constando a importância cultural do vilarejo- para que assim aquele lugar se torne patrimônio histórico. Fora da ficção, a realidade apresentada pela obra pode ser relacionada ao país da crescente demanda energética do século XXI: entretanto, é valido ressaltar que mesmo sendo renovável como é o caso das hidrelétricas é necessário haver a interconexão entre os diversos tipos de energias cíclicas.

Segundo Hans Jonas, ações que interferem na sociedade devem ser exercidas com base na garantia da finalidade última das tais. Isto é, seguindo o princípio da responsabilidade que tal ação garantirá um bom funcionamento no futuro. Em vista disso, é importante destacar que a ascensão das hidroelétricas no ramo das fontes renováveis não representa motivo de euforia somente. Uma vez que, mesmo operando em ciclos a sua matéria primordial-no caso a água- pode sofrer escassez. Tal como a energia eólica, que depende dos ventos para mover as turbinas, ou a de maremotriz, que depende das ondas das marés. Com isso, é importante o desenvolvimento de tecnologias capazes de promover a diversificação na oferta de energia sustentável.

Ademais, de acordo com Thomas Morus em sua obra a “Ilha de Utopia”, quando a população é consciente em preservar o meio ambiente o local por sua vez terá um funcionamento harmonioso. Isto é, não é pensar apenas em como substituir uma energia na ausência da outra, é ter a consciência que mesmo sendo renovável ela trará impactos. Como o caso do vilarejo de Javé, a construção de uma hidrelétrica demanda a ocupação de uma grande área resultando na remoção da população local. Além disso, tem a emissão de poluentes na atmosfera resultantes da decomposição da matéria orgânica do local. Logo, é imprescindível que haja investimento na conscientização do uso racional de energia no país.

Diante disso, é fundamental a atuação Estatal. Para isso, cabe ao Congresso Nacional mais investimentos na área de engenharia elétrica do país-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- a qual incentivará a criação de projetos visando aproveitar as diversas potencialidades que o país oferece no ramo da energia renovável. Com o intuito de promover alternativas no caso da falta de um ou mais tipos e não afetar a economia do país. Somado a isso, é necessário a promoção da ideia de economizar os recursos energéticos.