A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 22/06/2020
Flávia Marioto, em 2015, teve um prejuízo de mais de trinta mil reais em seu restaurante devido a dois dias sem luz. Assim como ela, independentemente de ter ou não um comércio próprio, milhões de brasileiros são afetadas pelas crises hídricas e energéticas esporádicas. Tais desequilíbrios ocorrem em razão da insatisfatória estrutura hidrológica do país - fato que se revela ainda mais grave pelas usinas hidrelétricas serem uma das principais fontes de energia - que resulta em uma série de impactos negativos, nos quais se destaca o cotidiano do cidadão comum.
Em primeiro lugar, é necessário analisar a problemática da incompetência governamental, que danifica a estrutura do complexo hídrico. De acordo com Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a competência, bem como a organização do governo, é reconhecida quando o sistema opera com confiabilidade, ou seja, sem cortes de energia e com baixo custo nos períodos críticos; ainda, na abundância hidrológica o complexo funciona por si só. Posto isso, nota-se que a estrutura hídrica bem como a energia que dela provém é defeituosa, haja vista que existe uma série histórica de crises no brasil, que, geralmente, é findada com o racionamento, deixando a população desprovida de energia.
Ademais, não só a falta de energia por si só é um inconveniente como também seus outros impactos. Fato conhecido pelo cidadão brasileiro, quando ocorre uma crise hídrica há em seguida aumento nas contas de energia, dos mais diversos valores. Conforme José Anibal, senador suplente do PSDB-SP, pode haver um acréscimo de 65% ou até mesmo 100% nas faturas. Nesse contexto, constata-se que os impactos no dia-a-dia do cidadão podem tomar proporções bastante desfavoráveis; comerciantes perdem mercadorias, e famílias arcam com despesas desproporcionais.
Destarte, para que o equilíbrio hídrico e energético seja uma realidade, o Ministério do Meio Ambiente deve desenvolver um projeto que vise a propor um novo planejamento para a estrutura hídrica brasileira. O projeto deve ter como pauta não somente a reorganização do sistema como um todo, mas também a intensificação da obtenção de energia por meio da biomassa, a médio e a longo prazo. Além disso, a execução da tarefa deve se dar por intermédio de profissionais como engenheiros, biólogos e químicos; se faz necessária também uma campanha pelos meios de comunicação, para que haja reafirmação ao cidadão do seu papel essencial em consumir água e energia de modo consciente, oferecendo dicas para o cotidiano. Desse modo, haverá o re-estabelecimento da ordem e o progresso se tornará possível, superando a problemática.