A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 20/08/2020

A Usina Hidrelétrica de Itaipu foi construída durante o período da ditadura militar e foi considerada a maior barragem do mundo até a construção das Três Gargantas na China. Desde esse período, o Brasil demonstra a dependência entre água e energia. Dessa forma, é evidente que, com a atual crise hídrica no país, tal relação torna-se um desafio por afetar tanto a esfera econômica quanto a ambiental.

Em primeiro plano, os impactos da crise hídrica na geração de energia implica prejuízo financeiro para a população. A esse respeito, segundo dados divulgados pelo G1 em 2015, a crise de abastecimento de água já encareceu a energia elétrica nas residências em torno de 8%. Ocorre que a falta de chuva em diversas regiões do Brasil leva à redução do volume de água nos reservatórios, consequentemente, elevando os preços das contas de luz, acompanhado do frequente risco de racionamento energético, evidenciando a dependência de hidrelétricas. Dessa forma, enquanto não houver modificação do modelo energético, o país será obrigado a conviver com os aumentos significativos nos valores das contas de energia.

De outra parte, a instabilidade do fornecimento de água e de energia levam ao acionamento de usinas termelétricas. Nesse contexto, de acordo com o Dr. Roberto Naime, Doutor em Geologia Ambiental, o maior impacto ambiental produzido pelas termelétricas são os gases estufas. Acontece que essas usinas liberam quantidade excessiva de dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O), os quais contribuem para o agravamento do aquecimento global, além de utilizarem enormes volumes de água para refrigeração. Assim, o investimento em fontes alternativas é fundamental para sanar o impasse.

Urge, portanto, medidas as quais minimizem os efeitos da crise hídricas no âmbito financeiro e ambiental. Dessa maneira, o Poder Público precisa melhorar o modelo energético do país, por meio do direcionamento de investimentos em fontes renováveis de energia, como a solar, instalando placas fotovoltaicas em construções públicas e ainda, facilitando o acesso da população a esses painéis solares a preços mais baixos. Ademais, tal órgão incentivaria empresas a utilizarem fontes alternativas de energia, bonificando-as com selos e reduções tributárias. Essas iniciativas teriam a finalidade de evitar custos excessivos com contas de energia, mitigar a dependência de hidrelétricas e diminuir a emissão de gases estufas, os quais intensificam o aquecimento global. Dessarte, o Brasil não será apenas lembrado como o país que já carregou o título de detentor da maior usina do mundo, mas como o que mais investe em energias limpas.