A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 15/08/2020
A obra Vida Secas, do autor Graciliano Ramos, retrata a história de uma família de itinerantes que vivem em busca de uma vida melhor, fugindo das dificuldades advindas da seca. Fora das telas, a crise hídrica afeta inúmeros brasileiros e apresenta seus reflexos nos impactos na geração de energia.. Nesse cenário, é preciso analisar as causas que agravam a situação desse recurso no Brasil e as consequências que essa realidade acarreta para o setor energético.
Em primeiro momento, faz-se necessário entender a ligação entre o uso do meio hídrico e a geração de energia. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEEL, cerca de setenta por cento do potencial elétrico brasileiro é constituído por hidrelétricas, usinas responsáveis por transformar o meio lático em lêntico, ou seja, rios em reservatórios. Assim sendo, mais da metade da força produzida está diretamente ligada ao potencial hidráulico do país que, embora, se caracterize por ter o terceiro maior do mundo, vem sendo afetado devido a crise agravada pelo o uso irresponsável de água. Consoante a Agência Nacional de Água, ANA, aproximadamente setenta e dois por cento do total desse recurso se destina ao agronegócio e seu uso excessivo pode agravar essa problemática..
Ademais, o desmatamento também corrobora para o agravamento da situação, uma vez que, acelera o processo de infiltração e destrói mananciais, impedindo o curso de renovação da água. Nesse sentido, apesar de apresentar grandes hidrelétricas, tal como a Usina de Itaipu que se caracteriza como a segunda maior do mundo, a crise ambiental tem afetado consideravelmente o setor de eletricidade. Em 2015, a Consultoria Legislativa de São Paulo, determinou que o estado enfrentava a pior estiagem em oitenta e quatro anos. Dessa forma, a queda nos níveis de reservatório gera ainda impactos econômico significativos em diversos setores como o agrícola, industrial e o energético, pois conforme a Lei das Águas de 1997, em caso de escassez a prioridade é o consumo humano e animal.
Diante do exposto é nítida a necessidade de medidas que solucionem o problema relatado. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério de Minas e Energias, investir em fontes alternativas, como exemplo solar e eólica, a fim de atenuar o uso excessivo de hidrelétricas, garantindo o uso correto da água e a segurança do suprimento eletroenergético em todo território nacional. Outrossim, cabe ao Ministério da Agricultura o acompanhamento do agronegócio e semelhantes, através da regulamentação de leis que assegurem práticas sustentáveis, procurando evitar o desmatamento e conscientizar sobre a importância da manutenção dos recursos hídricos, atenuando o desperdício. Somente assim, haverá um equilíbrio entre os recursos naturais e o avanço na demanda humana, impedindo que mais famílias se identifiquem com a da história narrada por Graciliano Ramos.