A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 13/10/2020
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a escassez de água potável deve afetar, aproximadamente, três bilhões de pessoas em 2025. Tal estatística é especialmente preocupante para o Brasil, pois, além do uso comum desse bem - para irrigação e consumo - a água é essencial na geração de eletricidade por meio das hidrelétricas. Desse modo, a diminuição da oferta aliada ao aumento da demanda por tal suprimento, torna evidente a necessidade de ampliação dos diferentes modelos de matrizes energéticas, de modo a garantir a segurança elétrica do país - alcançada com o fim da dependência das hidrelétricas. Portanto, cabe ao poder estatal atuar na execução desse projeto.
É imperativo abordar, em um primeiro momento, a importância da diversificação do modo de produzir energia. Em 2001, os reservatórios das usinas operaram com menos de cinquenta por cento da sua capacidade e em 2015 as operações trabalharam com menos de vinte por cento - de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico. Essa redução dos níveis da água é consequência das alterações do regime de chuvas e, o condicionamento da obtenção de eletricidade aos fenômenos meteorológicos - com as hidrelétricas - torna o sistema de abastecimento frágil e inseguro. Sendo assim, executar as instalações de usinas que utilizam diferentes métodos de fabricação diminui as probabilidades de o Brasil enfrentar outro apagão como o de 2001 - causado pela estiagem.
Sob esse viés, usinas marítimas e termossolares são as melhores alternativas devido à localização geográfica do país, bem como a produção de energia limpa - sem danos ao meio ambiente - e renovável. A primeira opção é extremamente vantajosa, visto que a energia é ocasionada mediante ao movimento das ondas do mar e o Brasil possui um litoral com mais de sete mil quilômetros de extensão. Já a segunda opção tem como matéria-prima a radiação solar, que é constante - principalmente - sobre os estados próximos à linha do equador. Ou seja, é possível mesclar as formas de obtenção de eletricidade com a exploração das vantagens territoriais que o país naturalmente dispõe.
Diante do exposto, conclui-se que a crise hídrica brasileira só é capaz de causar impactos na geração de energia em razão da dependência das hidrelétricas. Logo, urge a utilização de diferentes fontes de produção para que se finde o problema relatado, já que a escassez de água tende a se agravar. Cabe, então, ao Ministério de Minas e Energia - por intermédio de verbas governamentais - iniciar e concluir obras de instalação de usinas marítimas no litoral e usinas termossolares na região norte e nordeste, para que seja alcançada a segurança elétrica do país e a proteção do perigo de viver - literalmente - no escuro, em virtude de novos períodos de estiagem. Com tais medidas, as mudanças esperadas serão concebidas com êxito.