A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 10/06/2021
Do período colonial até a redemocratização do Brasil, diversos entraves sociais e culturais foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Atualmente, o país enfrenta muitos outros, dentre os quais destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura moderna, o difícil combate à crise hídrica. A partir de uma análise do impasse vigente, percebe-se claramente que ele está vinculado não só à falta de ações mais efetivas do poder público, mas também à deficiente formação de indivíduos pelas instituições construtoras de opinião.
Em primeiro plano, é irrefutável a ineficiência das autoridades governamentais na resolução desse problema, visto que ele persiste no contexto atual. De acordo com o sociólogo iluminista John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, uma vez que, ao serem governados pelo Estado, os cidadãos esperam que esse amenize as mazelas sociais e funcione como agente preservador da ordem. Em vista disso, o contrato é diariamente quebrado no país, posto que além de ambientais, impactos na geração de energia também são ocasionados pela má administração da água, o que, lamentavelmente, acaba por encarecer o preço da conta de luz das residências brasileiras.
Ademais, é indiscutível que atribuir uma atenção maior para a educação da sociedade detém um papel decisivo na resolução desse impasse, dado que o ensino possui papel transformador na vida das pessoas. Conforme o filósofo Immanuel Kant, é na educação que está o segredo para o aperfeiçoamento da humanidade. Nesse sentido, pode-se concluir que a instrução pedagógica é uma ferramenta poderosa que tanto forma indivíduos conscientes de seus direitos e deveres, bem como os ensina a agir de maneira responsável na preservação dos recursos hídricos. Assim, enquanto o Estado não pautar seriamente a educação para obter cidadãos responsáveis, o Brasil não conseguirá combater de modo efetivo a forma como a falta de água impacta a geração de energia.
Portanto, partindo do pressuposto que o combate desse impasse é árduo, urge a necessidade de mudança no ensino básico do Brasil. Para isso, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, principal órgão intermediador de políticas educacionais no país, modificar a grade curricular das séries iniciais às finais. Essa ação deve ser realizada mediante a inclusão de uma formação cidadã e ética, com a finalidade de originar pessoas conscientes da importância dos recursos hídricos, melhorando assim a capacidade delas em administrar a água. Dessa forma, por intermédio de ações responsáveis e efetivas, o Brasil terá capacidade de superar um dos entraves mais preocupantes na sociedade atual.