A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 15/07/2021
O sociólogo Émille Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Sob tal ótica, é notório que a atual crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia constituem um pilar defeituoso do corpo social, o qual poderá gerar caos a todo o país futuramente. Isso se explica não só pela concentração da matriz elétrica brasileira, mas também pelo elevado desmatamento de áreas florestais. Assim, é fundamental analisar tais fatores para liquidar esse impasse.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da concentração da matriz elétrica no país. De acordo com dados da Empresa para Pesquisa Energética (EPE), 65% da energia elétrica brasileira é proveniente de usinas hidrelétricas. Diante disso, percebe-se que o Brasil, por não realizar o devido investimento financeiro em uma matriz elétrica diversificada, fica extremamente dependente das fontes hídricas para abastecer a demanda elétrica nas cidades. Em virtude disso, com a crise hídrica, a população sofre com racionamentos de energia e de água, bem como com o aumento da conta de energia, medidas adotadas pelo governo quando ele não consegue suprir a demanda. Logo, o Estado não cumpre o seu papel de garantia do bem-estar populacional, como proposto por Thomas Hobbes.
Ademais, a problemática supracitada deriva ainda dos elevados índices de desmatamento de áreas florestais brasileiras. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil já perdeu cerca de 7,5% de toda a sua cobertura vegetal. Isso ocorre porque, mediante as demandas do mercado capitalista associadas à baixa proteção estatal do meio ambiente, cada vez mais florestas são desmatadas por empresas e agropecuaristas. Consequentemente, esse cenário de redução das áreas florestais diminui a quantidade de vapor de água na atmosfera, altera o padrão de chuvas em todo o país e, por fim, diminui a quantidade de água em represas de usinas hidrelétricas. Posteriormente, esse quadro resultará em aumentos nos preços da energia e em escassez do recurso hídrico.
Portanto, de modo a reverter os efeitos da crise hídrica e os seus impactos na geração de energia, medidas exequíveis devem ser tomadas. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com Ministério de Minas e Energia, destinar mais verba ao setor energético. Isso deve ser por meio de um plano econômico focado na disponibilização e no uso, em maior quantidade, de tecnologias já validadas - as quais apresentam compatibilidade com a geografia brasileira, como a energia eólica e a solar - a fim de que a matriz elétrica do país seja mais diversificada. Além disso, é dever do Ministério do Meio Ambiente fiscalizar e garantir a proteção de áreas florestais, para que o crescente desmatamento não afete a oferta de água e de energia para a sociedade.