A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 18/11/2021

O documentário “Catching the Sun”, produção da plataforma de streaming Netflix, mostra a procura das grandes nações como China e Estados Unidos pela energia sustentável. A história se passa em Richmond, Califórnia, quando um dos personagens tenta se realocar no mercado de trabalho por meio de cursos na instalação de gestores da fonte solar. Fora das telas, o Brasil já é um dos pioneiros mundiais em gerar energia limpa e renovável, entretanto, a crise hídrica em que o país se encontra afeta constantemente o processo. Essa problemática tem raízes, majoritariamente, no alto consumo agropecuário e na falta de investimentos governamentais.

Nesse contexto, é importante destacar a relevância da água, que serve como principal fonte na geração de energia para a nação verde-amarela. Nos últimos anos, os reservatórios do líquido se encontraram em constante declínio devido à escassez de chuva, o que causou um considerável efeito negativo para os setores que dependem desse meio para se desenvolverem. A partir desse viés, segundo dados da Fundação das Nações Unidas de Alimentos e Agricultura (FAO), cerca de 72% desse recurso é destinado apenas ao campo brasileiro, que possui grande parte do seu consumo nas práticas de irrigação e alimentação dos animais, e metade do elemento usado durante o processo é desperdiçado. Em virtude disso, torna-se perceptível que a má administração das grandes empresas agropecuárias impactam significativamente na crise hídrica atual.

Ademais, a falta de investimentos por parte do governo em outras fontes renováveis contribui intrinsecamente para o problema, ao considerar que a matriz energética é composta em grande maioria por usinas hidrelétricas. Assim como mostrado em “Catching the Sun”, a energia solar pode ser uma fonte limpa e sustentável, mas a população ainda não possui conhecimento e nem recursos financeiros suficientes para utilizá-la. Estes fatores exemplificam a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que esse quadro seja revertido.

Tendo em vista os fatos supracitados, faz-se necessário aderir medidas que venham amenizar os impactos da crise hídrica na geração de energia no Brasil. Portanto, urge que o Estado, em figura do Ministério de Minas e Energia, invista em grandes usinas solares e eólicas, construindo infraestruturas capazes de produzir gestores e placas que gerem eletricidade dessas fontes renováveis. Esse investimento será feito através de verbas públicas, a fim de atenuar a problemática. Além disso, pode-se redigir leis fiscalizantes destinadas aos grandes campos, para que consumam a água de maneira sustentável. Dessa forma, talvez, o país esteja distante das Instituições Zumbis de Bauman.