A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 14/07/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a crise hídrica no Brasil, representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de diversificação das fontes energéticas, quanto do desmatamento, situação que precisa ser revertida, já que essa instabilidade em relação à água impacta a geração de energia brasileira.
Primeiramente, é importante salientar que a escassez de diferentes alternativas para gerar energia é uma causa latente do problema. Prova disso foram dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), os quais evidenciaram que quase 90% da energia elétrica fornecida em todo o território brasileiro vem das usinas hidrelétricas. Dessa maneira, é notório que o governo quase não investe em outras fontes energéticas no Brasil, tornando o país dependente da água, o que dificulta a resolução da adversidade.
Ademais, outra causa para a configuração dessa problemática é o desflorestamento da Amazônia. Um exemplo disso foi pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a qual mostrou que a Amazônia registrou, em junho, o maior número de focos de incêndio dos últimos 13 anos. Nesse sentido, a Floresta amazônica, através de ventos úmidos, chamados popularmente de rios voadores, distribui chuva para grande parte do Brasil e desmatá-la impacta diretamente no regime pluvial brasileiro. Consequentemente, ocorre uma interferência na geração de energia, haja vista que esta é dependente da água por ser feita através de usinas hidrelétricas, o que torna o combate ao infortúnio ainda mais desafiador.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Sendo assim, cabe ao governo, através do Poder Executivo, direcionar dinheiro para investir em outras matrizes de energia, como por exemplo a eólica, devido ao grande potencial do Nordeste, por meio de recursos advindos de impostos federais, de modo a diminuir a dependência hídrica do Brasil na geração energia. Além disso, o governo deve aumentar a fiscalização do desmatamento na Floresta Amazônica, a fim de diminuir a ocorrência desse crime. Somente dessa forma o Brasil caminhará para se tornar a sociedade idealizada por More.