A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 14/07/2021

Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade hodierna, percebe-se o oposto dos ideais de Platão, visto que a crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia representam um obstáculo de grandes proporções. Assim, é notório que esse cenário antagônico é fruto tanto da carência de investimento em fontes energéticas alternativas quanto do desmatamento, situação que precisa ser revertida.

Primordialmente, é importante salientar que a falta de investimento em outras fontes de energia é uma causa latente do problema. De acordo com dados divulgados pelo site gov.br, as hidrelétricas constituem 63,8% da energia gerada no Brasil, sob esse viés, com a crise hídrica atual do país, essa fonte de energia é prejudicada, visto que as hidrelétricas dependem da água para gerar energia. Dessa maneira, fica evidente que o governo quase não investe em outras fontes de energia, o que torna o país muito dependente dessa matriz e da água, algo que dificulta muito a resolução desse infortúnio.

Ademais, outra causa para a configuração dessa problemática é o aumento do desflorestamento da Floresta Amazônica. Prova disso foi o monitoramento de satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que mostrou que a taxa anual de desmatamento da Amazônia voltou a crescer a partir de 2015, saltando para mais de 11 mil quilômetros quadrados em 2020. Nessa lógica, com o aumento desse desfloramento, a umidade trazida pelos ventos alísios da região Norte para o restante do país diminui muito, consequentemente, há cada vez menos chuva no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Dessa forma, como a principal fonte energética do nosso país depende de recursos hídricos, essa escassez de chuva provoca, consequentemente, uma carência de energia, o que torna o combate a essa infelicidade mais desafiador.

Portanto, fica clara a necessidade de uma intervenção. Sendo assim, cabe ao governo, através do Poder Executivo, direcionar dinheiro para o investimento em novas matrizes energéticas, como a eólica e a solar no Nordeste, que tem grande potencial para essas duas fontes, por meio de recursos advindos de impostos federais, a fim de acabar com a dependência das hidrelétricas. Além disso, o governo, deve aumentar a fiscalização acerca do desmatamento da Floresta Amazônica, de modo a diminuir esse crime. Somente assim, a sociedade brasileira caminhará para se tornar a cidade idealizada por Platão.