A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 26/07/2021
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, a sociedade vive o máximo de sua excelência, marcada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, a crise hídrica quebra o paradigma de More. Nesse contexto, é reflexivo o atual quadro da relação entre crise de água e a geração de energia para o país. Desse modo, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência jurídica e a educação brasileira.
A princípio, cabe destacar que a Constituição, lei máxima da justiça, incumbe ao poder público preservar o meio ambiente e o patrimônio ecológico da pátria. Contudo, não é vista ação eficaz por parte do Governo em relação a tal questão. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, pois, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso, é que a seca de rios e nascentes está completamente ligada ao desmatamento contínuo das matas e florestas brasileiras, principalmente na Amazônia, que é de suma importância para o equilíbrio ecológico do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 2020, o desmatamento foi maior nos últimos seis anos. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir a legalidade dessa questão.
Outrossim, delineia-se oportuno salientar que, o comportamento do corpo social é uma das engrenagens que ajudam na continuidade dessa problemática. Dessa maneira, para entender tal comportamento, é convidativo o pensamento da filósofa Hannah Arendt, em sua obra ‘‘Banalidade do Mal’’, que afirma que, quando atitudes antiéticas são praticadas rotineiramente, tendem a ocupar espaço de normalidade. Sob essa ótica, reflete-se o mau uso da água por parte da população, com ligações irregulares e uso descontrolado desse recurso natural, sendo assim, colaboradora para a crise hídrica, que, por consequência, dificulta a geração de energia nas hidrelétricas, e isso causa aumento nas contas de água, o que impacta diretamente no bolso do consumidor e no meio ambiente. Logo, é ilativo que esse quadro possui mais de uma camada colaborativa e necessita de medidas urgentes.
Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente estabeler a luta contra o desmatamento das florestas brasileiras, a fim de evitar a seca dos rios e nascentes, isso deve ser feito em parceria com o Ministério Público Federal, com o objetivo de prender e realizar operações que tenham por objetivo combater o ato do desmatamento, aplicando multas e realizando prisões. É responsabilidade deste Ministério, criar políticas de incentivo ao uso de energias limpas por parte da população, isto pode ser realizado, por exemplo, com projetos de incentivo ao uso de energia solar. Além disso, é de extrema importância campanhas do Ministério da Educação voltadas para a educação do uso consciente da água.