A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 19/09/2021
Consumo consciente. Esse é o nome do projeto virtual governamental, lançado em 2021, diante da crise hídrica atual, que visa, sobretudo, a racionalização populacional quanto ao uso de energia e de água, haja vista que, no Brasil, ambas estão intimamente relacionadas. Tal ação demonstra os impasses, especialmente no fornecimento de luz, suscitado a partir do desequilíbrio hidrológico, o qual é intensificado pela dependência nacional de hidrelétricas e pela desinformação da maioria da sociedade quanto à limitação desse recurso. Faz-se necessária, portanto, uma análise da problemática.
Em primeiro lugar, é visível que a matriz energética brasileira é, majoritariamente, baseada no uso da água para produção de energia. De acordo com dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética, em 2020, a dependência do país por hidrelétricas foi de 65%. Apesar da porcentagem ser menor do que aquela de anos anteriores, percebe-se, ainda, uma limitação na geração de eletricidade, uma vez que a abundância do líquido vital é essencial para efetivação desse processo. Diante desse contexto, é notório que, frequentemente, o Brasil se utiliza das suas vastas bacias hidrográficas e do seu relevo planáltico para construção de usinas produtoras de energia, desprezando, no entanto, pesquisas e abordagens em diferentes fontes, as quais reduziriam a extrema vinculação nacional por hidrelétricas e, como efeito, mitigariam a crise na geração de energia.
Além disso, verifica-se o constante desconhecimento popular da finitude da água. Esse cenário é retratado no episódio, “A crise global da água”, da série documental, “Explicando”, a qual reflete sobre o rótulo de “inesgotável” e “infinito”, normalmente, dado a esse recurso pela maioria dos indivíduos, que se validam disso para consumi-lo de forma exacerbada. Somado a isso, nota-se a ineficiência estatal em promover campanhas que mostrem a necessidade de se economizar água e energia, tendo em vista suas limitações. Como exemplo, vê-se o atual programa ministerial, “Consumo consciente”, o qual foi divulgado, principalmente, nas redes sociais, ficando restrito a determinado grupo e não contemplando a maioria. Desse modo, percebe-se que a incompreensão humana do esgotamento da água e a falha do Estado em alertar sobre, favorcem o consumo excessivo e a escassez desse fluido.
Logo, com vistas a buscar novas alternativas para a matriz energética brasileira, as universidades públicas, em parceria com os seus cursos na área ambiental, devem promover pesquisas que verifiquem as melhores formas de produzir energia para serem praticadas no país, principalmente, aquelas de fontes renováveis. Isso ocorrerá por meio de uma parceria público-privada, visando a variação nacional nesse setor. Outrossim, com o fito de desconstruir a errônea ideia da infinitude da água, o MME deve ampliar o acesso populacional a campanha estatal de consumo consciente de 2021.