A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 12/08/2021

Em 2021, a Região Metropolitana de Curitiba sofre com o racionamento na distribuição de água e com a alta no custo da conta de energia, principalmente pelo fato de os níveis dos reservatórios estarem abaixo dos 55%, de acordo com dados da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná). No entanto, este não é um problema isolado, visto que o país inteiro está passando por uma crise hídrica decorrente da falta de chuvas, acarretando problemas na principal matriz energética brasileira: as usinas hidrelétricas. Desse modo, é necessário que as causas e consequências deste grave problema sejam debatidas com o intuito de compreendê-lo e, possivelmente, solucioná-lo.

A princípio, vale ressaltar que colocar a responsabilidade pela crise hídrica e energética no meio ambiente é algo absolutamente equivocado, quando, na verdade, a falta de planejamento no momento de avaliar outras alternativas de fontes de energia mais eficientes e baratas é uma culpa do Governo. Nesse viés, percebe-se que a utilização das usinas termelétricas - principal opção para substituir as hidrelétricas - durante esse período crítico apenas corrobora o crescimento de outros problemas, a exemplo da poluição ambiental e do aumento na conta de energia. Cientificamente, as usinas termelétricas são mais poluentes, já que liberam gases agravantes do efeito estufa, além de serem abastecidas por elementos não renováveis e de custo elevado, como o gás natural e o óleo combustível, que são compensados nas tarifas pagas pelo consumidor.

Por conseguinte, os gastos com fontes de energia mais caras e poluentes, bem como a supracitada, fazem com que outras alternativas, renováveis e mais eficientes, sejam deixadas de lado. Consoante a isso, as usinas eólicas, baseadas na força dos ventos, possuem potencial de energia que pode atender o equivalente ao triplo da demanda de energia no país, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica. Assim, a falta de aproveitamento de outras matrizes energéticas sobrecarrega as hidrelétricas, possibilitando um colapso na geração e distribuição de energia, tornando ocorrências como os “apagões” cada vez mais frequentes.

Portanto, infere-se que a crise hídrica e seus impactos na geração de energia constitui um problema que deve ser amenizado. Dessa forma, urge que o Ministério de Minas e Energia, principal responsável pelo planejamento da geração e distruibuição elétrica no Brasil, possibilite a utilização de fontes alternativas, a exemplo da eólica, com o intuito de diminuir a sobrecarga na matriz hidrelétrica durante o período de estiagens. Para tal, o investimento de verbas públicas na contratação de profissionais especialistas e instrumentos para a instalação dessas fontes é imprescindível para atingir esse objetivo. Somente assim, o Brasil conseguirá diversificar sua matriz energética falha e superar esta crise.