A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 14/08/2021
Na atual conjuntura geopolítica mundial, o Brasil é o país de maior potencial hidrelétrico no planeta, de acordo com Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No entanto, a ausência e/ou insuficiência de políticas públicas voltadas ao setor energético, bem como o consumo alienado dos recursos hidrológicos pelo brasileiro ocasionaram a atual crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia. Diante dessa problemática, é mister a adoção de novas estratégias governamentais e de um novo padrão de uso da energia no país.
A princípio, é válido asseverar que a ausência e/ou insuficiência de políticas de gestão de recursos naturais e o baixíssimo investimento no setor energético são fatores históricos que favorecem a crise hídrico-energética no Brasil. Nesse contexto, conforme pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, a falta de planejamento estatal e a precária infraestrutura de fornecimento de energia culminaram nos fatídicos “Apagões de 2001”, quando a população brasileira enfrentou sucessivas quedas de energia. Apesar do aumento no consumo de energia, pouco mudou na contemporaneidade, vez que a nação atravessa uma nova crise de mesma ordem no setor. Portanto, enquanto o Estado se omitir diante da questão, o problema persistirá, sendo necessário melhorias infraestruturais que modernizem a malha energética nacional.
Paralelamente, a alienação do consumidor brasileiro agrava a escassez hídrica e prejudica o abastecimento de luz. Sob essa ótica, Karl Marx afirma que, uma vez alheio aos seus hábitos de consumo, o ser humano tende a perpetuar as problemáticas associadas a produção do bem material consumido. Isso porque 65% da geração de eletricidade depende da disponibilidade de água, conforme a Aneel, contudo o uso dispendioso desse recurso gera seu desabastecimento e, subsequentemente, afeta a produção de energia. Logo, importa que o comportamento atual da população seja alterado para que a crise hídrica e energética seja amenizada.
Em suma, o Ministério de Minas de Energia deve investir na modernização da malha energética brasileira e em campanhas de conscientização do consumidor brasileiro. Isso através de parcerias público-privadas com empresas de gestão de energia, aprimoramento da fiscalização da distribuição de água e eletricidade e promoção de debates com comunidade civil acerca dos problemas que permeiam o usufruto da energia elétrica . Dessa maneira, será possível assegurar o abastecimento ininterrupto de água e luz , a diversificação das matrizes energéticas, como fontes eólicas e fotovoltaicas, além do consumo consciente de energia a fim de mudar o atual panorama do país.