A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 06/09/2021
No governo de Fernando Henrique Cardoso, por falta de investimentos na transmissão de energia houve uma crise energética que ficou conhecida como “crise do apagão”. É perceptível, então, que devido a crise hídrica atual e os seus impactos na energia, o Brasil pode enfrentar outra “crise do apagão” como ocorreu no governo de Fernando Henrique. Esse cenário nefasto é acentuado não apenas em razão do desmatamento florestal, mas também devido à falta de planejamento estatal. Logo, é imperiosa a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigar os entraves para a promoção de energia do país.
Em primeira análise, cabe pontuar que o desmatamento – principalmente da floresta amazônica – influencia diretamente na intensidade de chuvas em todo território brasileiro. Nesse viés, a obra “Casa-grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, defende que a formação do brasileiro baseou-se na colônia de exploração dos recursos naturais e na irresponsabilidade com a natureza e com os demais indivíduos. Essa prática de exploração excessiva, denunciada por Freyre, ainda se manifesta nos desmatamentos florestais e nas intensas queimadas, por conseguinte, o fluxo de chuvas diminuem e influência na geração de energia. Desse modo, não será possível amenizar os impactos na produção de energia, mantendo atitudes típicas da colônia.
Ademais, vale ressaltar que devido à falta de planejamento do Estado o Brasil não possui uma diversidade de matrizes energéticas. Nesse contexto, de acordo com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mais de dois terços da energia gerada no Brasil provem de alguma fonte hídrica. Nesse âmbito, a república brasileira é totalmente dependente dos recursos hídricos para gerar energia através das hidrelétricas e não possui alternativas para o caso de haver uma crise de água, consequentemente, o preço da fatura de luz é elevado e o risco de acontecer um “apagão” aumenta. Dessa forma, o país necessita precaver-se para evitar uma calamidade.
Urge, portanto, que o Estado, por meio do poder Legislativo e Executivo, invista na diversificação de usinas geradoras de energia - como usinas fotovoltaicas e eólicas – e promova uma rigidez nas leis de preservação ambiental, especialmente contra o desmatamento e queimadas, a fim de que haja um melhor aproveitamento dos recursos naturais de forma consciente e o Brasil contemporâneo seja poupado de uma “crise do apagão” como houve no governo de Fernando Henrique.