A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 11/09/2021

Apesar dos investimentos gerados após o “apagão” energético de 2001, causado por uma estiagem histórica, o Brasil permanece dependente do potencial hídrico em sua matriz energética. Nesse sentido, há impasses para reduzir os impactos da crise hídrica brasileira na geração de energia, ora pela negligência político-social, ora pela inércia do Poder Público, o que torna urgente expor e viabilizar medidas para atenuá-los.

Em primeira análise, é categórico postular que a negligência político-social no tratamento dos recursos naturais constitui um dos obstáculos para a redução dos impactos na crise de abastecimento. Tal fato pode ser explanado pelo constante desmatamento promovido pelo avanço civil da fronteira agrícola, visto que tal processo interfere diretamente no ciclo biogeoquímico da água, reduzindo, assim, o volume dos rios voadores que reabastecem lençóis fráticos e hidrelétricas – principal matriz energética do país. Logo, é substancial que haja a conscientização da sociedade acerca da conexão entre as ações individuais e o contexto coletivo, de modo a evitar distorções prejudiciais ao acesso a direitos básicos e universais.

Outrossim, é fundamental apontar que a Constituição de 1988, em seu conjunto de leis, garante a proteção dos recursos naturais e o fornecimento de energia elétrica como essenciais à promoção dos direitos dos cidadãos. Contudo, tal estrutura teórica faz-se pouco efetiva no plano prático, uma vez que, segundo dados divulgados no podcast “Café da Manhã”, do jornal “Folha de São Paulo”, as hidrelétricas, responsáveis por mais de 60% do fornecimento elétrico no Brasil, fortalecem a dependência do ciclo da água e a acentuam o esgotamento dos recursos naturais. Assim, é mister que o Estado assuma seu papel regulador e amplie os investimentos públicos na diversificação da matriz energética, a fim de diminuir o desgaste hidrológico e promover a construção de alternativas sustentáveis à nação.

Em síntese, urge que medidas sejam implementadas para mitigar o quadro em questão. Portanto, cabe ao Poder Executivo, por meio de seu aparato legal, regular e fiscalizar o mau uso dos recursos naturais e a destruição do meio ambiente, para impedir que o impacto das ações antrópicas reflita na manutenção do aporte hidráulico nacional. Ademais, cabe ao Governo Federal, por intermédio de investimentos públicos, fomentar a construção de campos eólicos e solares em áreas já degradadas ou contaminadas, como mineradoras desativadas, por exemplo, como forma de solucionar a demanda e de conter o estresse hídrico. Dessa forma, o Estado e a sociedade superarão a problemática vigente de modo promissor e coesivo.