A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 28/09/2021

Em 2014, uma crise hídrica atingiu o estado de São Paulo, em razão da crítica diminuição dos níveis de oferta de água, com a diminuição drástica e simbólica do reservatório de Cantareira. Desse modo, fica claro que em situações emergenciais como essa, a geração de energia é impactada. Assim, torna-se essencial discutir as causas dessa conjuntura de desequilíbrio, como o desmatamento e a dependência na hidroeletricidade, e seus efeitos na capacidade energética brasileira.

De início, é fundamental destacar a matriz pouco diversificada do Brasil como uma problemática. Isso porque as hidrelétricas constituem a maior parte da geração de energia no país, com um uso de quase 67%, em detrimento das outras fontes, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica. Dentro dessa perspectiva, a dependência das chuvas e dos cursos de água é grande, o que ocasiona um empecilho quando esses índices estão abaixo do ideal, como o que ocorreu na crise paulista de 2014. Sob essa ótica, é inegável que assegurar uma maior multiplicidade de meios de geração de eletricidade, com o objetivo de depender menos de recursos que podem tornar-se parcos é mister.

Outrossim, torna-se pertinente também ressaltar o desflorestamento como um causador de uma insuficiência hídrica. Isso é explicado pelo fato de que o Brasil lidera os índices de desmatamento no mundo, segundo a “Global Forest Watch”. Nesse contexto, essa destruição florestal, causada pelo agronegócio, haja vista a necessidade de lucro com a soja e a pastagem para a criação bovina, promove a diminuição da evapotranspiração, uma vez que a quantidade de árvores diminui, o que provoca uma diminuição das chuvas e, por conseguinte, a redução de níveis de reservatórios importantes. À luz disso, uma vez que a geração de energia é dependente em cursos de água, a redução das matas nativas torna-se um obstáculo que necessita, consequentemente, de combate.

Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para diminuir os impactos da crise hídrica no fornecimento de energia. Logo, compete ao Ministério de Minas e Energia investir mais em fontes energéticas alternativas, como a eólica e a solar, a fim de diversificar as matrizes e, desse modo, tornar o Brasil menos dependente em hidroeletricidade. Isso deverá ser feito mediante um projeto de lei enviado à Câmara dos deputados, que destine verbas ao mapeamento das regiões mais aproveitáveis, por exemplo, as com maior incidência solar para a atividade proveniente do sol. Ademais, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por meio da fiscalização maior em áreas de reservas ambientais, como a Amazônia, punir os desmatamentos ilegais, com o fito de diminuir a destruição que causa prejuízos ao potencial do ciclo hidrológico brasileiro.