A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 08/10/2021
O longa-metragem australiano “Mad Max”, aclamado pela crítica universal, retrata um futuro pós-apocalíptico em um cenário desértico, de modo que a gasolina e a água, devido a ínfima acessibilidade destes pelos indivíduos, são bens de extremo valor e ditadores de poder social. Fora da ficção, paralelamente a obra cinematográfica abordada, observa-se, na conjuntura brasileira, uma grave crise hídrica, responsável por diversos entraves na comunidade. Nesse sentido, tanto os danosos hábitos civis, no que tange ao meio ambiente, quanto a displicência governamental agravam a problemática.
Em primeira análise, vale destacar o impacto da degradação ambiental na intensificação do estorvo, uma vez que acarreta mudanças climáticas globais e prejudica a geração de energia no país. Sob esse viés, durante o mandato presidencial de Henrique Cardoso ocorreu no Brasil um apagão elétrico em virtude, dentre outros fatores, da seca gerada pela escassez de chuvas no país. A partir dessa perspectiva, é notório como a persistência de costumes nocivos à natureza corrobora a crise hídrica contemporânea, já que fomenta alterações na dinâmica atmosférica do planeta. Com isso, o desmatamento florestal descontrolado, por exemplo, além de diminuir a umidade do ar, reduz os níveis dos mananciais, reprimindo, assim, a capacidade de geração e distribuição de eletricidade.
Ademais, é imperativo pontuar a herança cultural tupiniquim, fruto de uma má gestão estatal, como um dos fatores que validam o imbróglio. Conforme a teoria do “Monstro Macrocéfalo”, o filósofo Raymundo Faoro critica o excesso de normas em detrimento de ações do aparato administrativo. Nessa senda, essa face materializa-se na conjuntura da coletividade verde-amarela na medida em que a precária logística da infraestrutura nacional reforça o quadro de forte dependência nas hidrelétricas. Dessa maneira, o financiamento histórico ao desenvolvimento desse modal energético em detrimento da diversificação na matriz brasileira, aliado aos entraves ambientais, contribuem massivamente para instabilidade hídrica hodierna.
Verifica-se, portanto, a necessidade de reverter esse preocupante panorama. Assim, urge que as instituições de ensino, em parceira com Organizações Não Governamentais, realizem amplos debates acerca das consequências advindas do uso indiscriminado do ecossistema, por intermédio de palestras nas escolas e transmissões onlines promovidas por ONG’s ligadas a esse aspecto comunitário, com o fito de formar jovens mais conscientes e promotores de ações biosustentáveis. Outrossim, é imprescindível que o Ministério de Minas e Energia, por meio de investimentos governamentais, propicie a ampliação da matriz elétrica no país, com o objetivo de articular fontes alternativas de energia e impedir uma crise hídrica. Destarte, será possível evitar o contexto distópico de Mad Max.