A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 11/10/2021
O relatório de Brundtland, publicado em 1987, foi responsável pela disseminação da ideia de desenvolvimento sustentável. Nessa perspectiva, diversos países investiram recursos a fim de promover a preservação ambiental, no entanto, o Brasil parece caminhar no sentido oposto. O problema torna-se mais grave na medida que a nação é movida à energia hidrelétrica, isto é, depende intimamente de uma alta pluviosidade para suprir a demanda de eletricidade. Nesse sentido, a falta de consciência ambiental e a dependência de um único modal para a produção de energia apresentam-se como agravantes para o problema.
Salienta-se, em primeiro plano, a importância da integridade da floresta amazônica para a precipitação em todo o país. Por meio dos ventos alísios e da massa equatorial atlântica, a umidade oriunda da mata mais biodiversa do mundo é carregada por todo o continente latino-americano. Graças a isso, originam-se os famosos “rios voadores”, verdadeiras correntes de água em forma de vapor que são carregados pela atmosfera. Ao encontrar a cordilheira dos Andes a massa acaba precipitando, trazendo grande pluviosidade para o sul do continente. Logo, o desmatamento no norte proporciona uma queda singular no volume de chuva no Brasil, principalmente na região sul-sudeste, sendo, por isso, um dos potencializadores da atual crise hídrica.
Outrossim, a falta de investimentos em outras formas de obtenção de energia agravam ainda mais a crise elétrica. Apesar de ser considerada uma fonte limpa e renovável, as hidrelétricas estão sujeitas a períodos de escassez , fato que confere uma maior instabilidade ao preço da tarifa a ser cobrada. Por isso a diversificação da matriz elétrica é fundamental , uma vez que o Brasil, país de proporções continentais, é privilegiado com condições ideais para a utilização de outras formas de energia, como a eólica e solar. Com uma produção de eletricidade não hegemônica, haverá uma margem para períodos de estiagem, não encarecendo demasiadamente o preço da energia, como percebe-se atualmente.
Infere-se, portanto, medidas que visem sanar o problema da crise hídrica no Brasil. Para tanto, o Governo Federal, através do Ministério do Meio Ambiente, deve direcionar esforços para se fazerem valer as leis ambientais, aumentando a fiscalização em áreas de desmatamento, em especial a amazônia, preservando, assim, a função hídrica da floresta. Ademais, grandes empresas que consomem muita energia devem utilizar fontes alternativas, investindo recursos para tal, evitando a dependência da energia hidrelétrica. Com isso, o nação caminhará para o caminho da sustentabilidade e do progresso.