A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 31/10/2021
Os pré-socráticos buscavam na antiguidade, através de elementos da natureza, definir o princípio de todas as coisas existentes. Outrossim, destaca-se o filósofo Tales de Mileto, que considerou em suas teses a água como substância fundamental à vida. A priori, no que diz respeito ao cenário brasileiro, tal recurso é responsável por impulsionar as hidrelétricas, principal matriz energética do país. Entretanto, embora a importância desse fluido tenha sido demonstrada pelo pensador há milenios, observa-se na sociedade contemporânea uma desvalorização deste. Destarte, convém analisar as principais causas e consequências da crise hídrica no que tange o fornecimento de energia para o corpo social.
Em primeiro plano, convém considerar que o aumento do desmatamento contribui para a diminuição da oferta de água e posteriormente impactos no setor energético. A princípio, de acordo com dados levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Brasil aumentou em 59% o desmatamento em 2020. Sob esse viés, é preciso pontuar que a vegetação desempenha um papel fundamental na manutenção da umidade, isto é, regula a quantidade de água existente no ar. Em contrapartida, a retirada desse ambiente verde impede a retenção de corpos hidrícos, contribuindo, assim, para uma menor disponibilidade de chuvas que serão captadas por reservatórios energéticos. Nesse sentido, constata-se que a diminuição desse recurso, no que tange ao abastecimento das usinas hidrelétricas, impede o funcionamentos destas e por consequência o risco de apagões.
Ademais, cabe destacar que a ausência de uma matriz diversificada, contribui para o avanço de tal problema. Primeiramente, é necessário destacar que o Brasil localiza-se na faixa intertropical do planeta, de modo que a importância de tal fator revela-se na disponibilidade de matrizes energéticas alternativas, como exemplo a eólica e a solar. Entretanto, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, cerca de 67% da energia utilizada no país é proveniente de fontes hídricas. Nesse sentido, observa-se o sobrecarregamento de um sistema que depende exclusivamente da água para o seu funcionamento, no qual vê-se afetado diante de pautas pouco preservacionistas.
Em suma, diante dos argumentos citados, cabe ao Ministério do Meio Ambiente o aumento da fiscalização em áreas ambientais, a fim de contribuir para a diminuição do desmatamento ilegal e a cadeia de degradação na qual é responsável pela alteração do ciclo hídrico e por consequência impactos energéticos. Por fim, compete ao Governo Federal a elaboração de projetos que visem subsidiar a implementação de fontes alternativas de energia, com o intuito de distribuir o fornecimento de energia para a população. Desse modo, será possível mitigar tal problemática.