A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 28/10/2021
Em 1938, Graciliano Ramos, através de sua obra “Vidas secas”, denunciou a escassez de água vivenciada no sertão brasileiro e seus efeitos sobre o ambiente e a população local. Quase um século depois, a narrativa do autor regionalista ameaça se estender pelo território nacional do país das águas e impacta diversos setores da vida pública, em especial a geração de energia. Isso porque, no Brasil, a matriz energética é majoritariamente dependentede complexos hidrelétricos, que, com as secas prolongadas, têm seu funcionamento comprometido. Diante disso, fica evidente a necessidade de não somente incentivar uso consciente dos recursos hídricos por parte de todos os setores sociais, mas também ampliar a diversificação da matriz energética nacional.
Sob esse viés, é fulcral que a gestão do bem hídrico seja feita de forma responsável, sobretudo em tempos de crise. Nessa perspectiva, cabe ressaltar que a preservação dos recursos naturais é prevista constitucionalmente - através do artigo 225 - como obrigação legal do Poder Público e da coletividade. No entanto, a atual crise hídrica e energética que acomete o cenário nacional expõe a insuficiência do Estado e do corpo social em cumprir essa responsabilidade constitucional. Desse modo, os baixos níveis dos reservatórios nacionais são reflexo da indiferença governamental e popular, que permitem a manutenção do desmatamento e do desperdício de água no país, fatores que interferem no ciclo hidrológico, comprometendo o bem hídrico e a produção de energia hidrelétrica. Assim, enquanto a irresponsabilidade socioambiental for a regra, a preservação do bem hídrico será apenas um ideal.
Ademais, é importante que a matriz energética brasileira seja diversificada. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, no ano de 2020, cerca de 63% da energia brasileira foi gerada por hidrelétricas. Essa porcentagem ilustra a dependência nacional acerca do modelo hidrelétrico, que revela-se um problema no contexto de crise hídrica vivido atualmente e demonstra a importância do investimento em fontes alternativas de energia renovável, como eólica e solar. Nesse viés, a diversificação da matriz energética nacional torna-se fundamental para evitar a sobrecarga da demanda energética sobre as hidrelétricas, que têm seu potencial produtivo comprometido atualmente.
Urge, portanto, que medidas sejam adotadas para superar a crise hídrica e seus impactos sobre a geração de energia no país. Cabe, então, à sociedade civil organizada - no exercício da sua cidadânia - exigir o enrigecimento das leis ambientais de proteção ao bem hídrico, através de petição pública, para que a responsabilidade socioambiental impere. Além disso, o Governo Federal deve ampliar as políticas públicas de incremento de energias renováveis alternativas, por meio da destinação de verbas para o desenvolvimento de usinas eólicas, visando ampliar e diversificar a geração de energia limpa no Brasil.