A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 04/11/2021

A obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, ilustra as dificuldades de uma família brasileira que, habitante do sertão nordestino, enfrenta uma série de percalços em função da extrema falta de água. Analogamente, o drama fictício retrata cada vez mais a realidade do país, uma vez que, seja em função da negligência governamental, seja em função da passividade do corpo social, a crise hídrica brasileira gera diversos impactos na sociedade hodierna, principalmente ao se tratar da geração de energia elétrica. Outrossim, dada a importância do tema em questão, é imperativo que se analise suas respectivas causas, visando mitigar seus impactos.

Em primeira análise, vale resgatar o aspecto supracitado no que tange à negligência governamental. O referido quadro de inoperâncias das esferas de poder atua de modo a possibilitar a degradação ambiental, culminando na poluição dos corpos hídricos e na alteração do regime climático. Destarte, em um país cuja principal matriz energética baseia-se nas usinas hidrelétricas, a negligência estatal ameaça não somente o abastecimento hídrico, como a produção de energia elétrica. Por conseguinte, a ineficácia governamental na questão evidencia a teoria das Instituições Zumbis, proposta pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em que o Estado perde sua função social e passa a existir sem o devido objetivo e orientação. Dessa forma, a reação estatal mostra-se urgente para a refutação da teoria do estudioso polonês.

Além disso, a passividade do corpo social posiciona-se como catalisador do problema. Nesse contexto, o déficit existente na educação brasileira torna alheia à milhões de brasileiros a necessidade da preservação ambiental e, conforme exemplificado pela teoria da"Atitude Blasé", proposta pelo sociólogo alemão Georg Simmel, a população verde e amarela passa, então, a normatizar um grave fato social. Consequentemente, prioriza-se o desenvolvimento econômico e industrial do país em detrimento à proteção ambiental, ocasionando a referida crise hídrica. Desse modo, é necessária a de atuação do Ministério da Educação para, através da educação nas escolas, reverter este cenário.

Diante do exposto, é imperiosa a mobilização do Estado na resolução desta problemática. Assim sendo, a atuação do Congresso Nacional mostra-se urgente para, por meio da proposição de leis, regulamentar a exploração ambiental, com a finalidade de evitar a poluição dos corpos hídricos e a alteração dos regimes pluviométricos do país. Ademais, a referida proposição de leis deve visar, também, despoluir as águas e reflorestar áreas desmatadas, possibilitando a reversão da crise hídrica e assegurando a manutenção da produção de energia elétrica no país. Somente assim, será possível evitar que a realidade retratada por Graciliano Ramos se alastre por mais regiões do Brasil.