A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 09/11/2021

“Os inocentes do Leblon” é um poema do autor modernista Carlos Drummond de Andrade, o qual são abordadas as negligências da população carioca frente às problemáticas sociais. De maneira análoga, nos dias atuais, o povo brasileiro mantém latente tal postura poética no que tange à crise hídrica. Desse modo, observa-se que a inoperância estatal tem gerado graves consequências para o corpo social.       Nesse âmbito, a inércia governamental compromete a manutenção do Estado democrático de direito. Sob esse prisma, segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de papel”, as leis, embora apresentem completude na teoria, são ineficientes na prática. Consoante à obra, observa-se que o artigo 255 da Constituição federal de 1988 não é cumprido, uma vez que a crise hídrica reflete um cenário de desequilíbrio ambiental e social. Isso pode ser observado por meio do desmatamento florestal - gerado de forma natural (devido ao aquecimento global), mas também pelo agronegócio -, o qual gera, além da emissão de gás carbônico (CO2), a diminuição da evapotranspiração, o que afeta todo o ciclo hidrológico. Dessa maneira, a postura inerte do governo, tem ferido a cidadania dos brasileiros ao descumprir a Carta Magna.

Consequentemente, o Estado, para minimizar os drásticos efeitos gerados pela crise, tem adotado medidas que afetam negativamente a vida dos brasileiros. Nesse viés, cabe salientar que a matriz enérgica brasileira, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), é composta de 65% de hidrelétricas. Nesse sentido, percebe-se que a falta de água afeta mais da metade da geração de energia do país, sendo assim necessário a utilização de termelétricas. Tal necessidade, apesar de ser uma solução imediatista, gera duras consequências ambientais e sociais, como grande quantidade de emissão de CO2 e, como são processos mais caros, o aumento da tarifa nas contas de luz. Dessa maneira, observa-se que o problema da água, poderia ser solucionado com melhor administração do Poder Público frente às demandas ambientais e do corpo social.

Portanto, é mister que medidas sejam adotadas para mitigar os impactos da crise hídrica. Posto isso, urge que o Ministério do Meio Ambiente aumente a quantidade de agentes ambientais, os quais serão responsáveis por fiscalizar os desmatamentos criminosos e punir tais atos. Tal punição será feita por meio de multas/prisão para os responsáveis pela destruição do solo nacional, a fim de que a fauna e a flora brasileira possam ser preservadas, reestabelecendo a homeostase do ciclo hidrológico e o abandono por parte do Estado, do seu papel de “inocente do Leblon”