A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 12/11/2021

Conforme o ilustre romancista brasileiro Guimarães Rosa: “a água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”. Certamente, essa compreensão é ponto-chave no debate acerca da crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia, visto que a persistente ineficiência do Estado em garantir fontes energéticas alternativas e sustentáveis tem impactado, negativamente, a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.

Primeiramente, é interessante lembrar que a água é empreada em diversas atividades na sociedade hodierna. Aliás, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), menos de 10% desse recurso é direcionado para civis brasileiros, pois é, majoritariamente, utilizado em atividades agrícolas, industriais e no campo energético, já que as hidrelétricas ainda são a principal fonte de energia no Brasil. Assim, perceber a importância da água, essencial à vida humana, traz questionamentos acerca de seu uso indiscriminado, visto que os cidadãos brasileiros têm lidado, históricamente, com a má distribuição desse recurso, como ocorre em regiões do Nordeste e Norte brasileiro, assim como crises hídricas e energéticas, como a do ano de 2014, quando a escassez de chuvas impactou diretamente no fornecimento de água e de energia para milhares de brasileiros.

Logo, é inegável a necessidade da utilização consciente e responsável de fontes hídricas. Para isso, o governo brasileiro deveria investir, inexoravelmente, em pesquisas direcionadas ao tratamento da água para reuso, à diminuição do desperdício, além de investir em outras fontes geradoras de energia, como a eólica e a solar. Apesar disso, o que se vê, na prática, é o uso desenfreado desse importante recurso, o que vai de encontro com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, elaborados pela Organização Mundial das Nações Unidas na Agenda 2030, e que objetivam, justamente, consumo e produção responsáveis. Dessa forma, ao agir de modo lento e ineficaz na busca do desenvolvimento sustentável, o governo brasileiro se torna uma instituição zumbi, definida pelo sociólogo Zygmunt Bauman como aquela que mantém sua forma, mas não cumpre seu papel social. Por isso, é urgente que tomem-se decisões conscientes para a resolução desse imbrólio.

Portanto, com o intuito de evitar novas crises hídricas e de agir de modo sustentável, é imprescindível que o governo federal invista, por meio dos subsídios obtidos com os impostos pagos pela população, na implantação, em maior escala, de fontes de energia limpas e sustentáveis, assim como em estudos científicos que ofereçam soluções referentes ao desperdício de água. Só assim, os cidadãos brasileiros poderão contar com um Estado que cumpre seu papel e que colabora com o bem-estar social.