A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 15/11/2021

“Quando olhei a terra ardendo”. O trecho da música “Asa Branca” do cantor brasileiro Luiz Gonzaga representa, de modo atemporal, a questão da crise hídrica vivenciada no território brasileiro que, consequentemente, reflete na produção energética, tendo em vista que o Brasil está entre as nações que mais utilizam de usinas hidrelétricas para o abastecimento de energia, sendo essa sua principal fonte. Dessa forma, esse cenário antagônico traz como efeito a má gestão hídrica que impede, gradativamente, as futuras gerações de desfrutarem os  recursos que temos hoje à disposição.

A princípio, convém ressaltar um dos principais fatores dessa problemática: a falta de logística da água. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa e administrativa constitui uma etapa fundamental no desenvolvimento social. Nesse sentido, a falta de diálogo a respeito da utilização consciente dos recursos hídricos, faz com que haja ainda mais a perpetuação do problema em questão, pois os desfavoráveis fatores climáticos atrelados ao uso exacerbado desses recursos em várias atividades cotidianas, fazem com que os reservatórios continuem em baixo nível, não sendo possível alimentar as usinas hidrlétricas. Desse modo, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Outrossim, é importante apontar a não conservação dos recursos hídricos para as próximas gerações como consequência dessa controversa. Segundo o filósofo alemão Hans Jonas, devemos assumir nossas responsabilidades sobre nossos atos, não apenas pensando nos próprios desdobramentos, mas, principalmente, nos das gerações vindouras. Essa afirmativa, portanto, associa-se à crise hídrica enfrentada atualmente, uma vez que parte da população desconhece das condutas necessárias acerca do uso responsável da água e de seu impacto na geração de energia, já que apesar de parecer uma fonte inesgotável, possui lacunas que independem da atividade antrópica, como os períodos de estiagem.

Depreende-se, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar essa questão. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, responsável pelas políticas ambientais nacionais, deve, por meio de investimentos, buscar a promoção e instalação de outras fontes energéticas renováveis, como a eólica, a fim de distribuir as maneiras de garantia da energia no Brasil. Além disso, o Ministério da Educação, deve, por meio de palestras didáticas e efetivas, ministradas por especialistas da área, abordar sobre as consequências da falta de conhecimentos sustentáveis, a fim de conscientizar os jovens, futuro da nação. Somente assim, será possível garantir o pleno funcionamento da sociedade e invalidar a atemporalidade do trecho de Luiz Gonzaga.