A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 15/11/2021

A filosofia pré-socrática buscava na antiguidade, através de elementos da natureza, designar o princípio de todas as coisas existentes. Nesse contexto, destaca-se o filósofo Tales de Mileto, que considerou em suas teses a água como substância fundamental à vida. No que diz respeito a importância desse recurso para a sociedade brasileira, é preciso considerar que tal composto é responsável por impulsionar a principal matriz energética do país, as hidrelétricas. Entretanto, nota-se que a crise hidríca, decorrente, principalmente, do fomento de ações antrópicas no meio ambiente somado a dependência excessiva de uma única fonte, contribui para impactos no setor energético.

Em primeiro plano, convém considerar que o aumento do desmatamento favorece o avanço de tal problemática. A priori, de acordo com dados levantados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Brasil aumentou em 59% o desmatamento em 2020. Partindo desse aspecto, é preciso pontuar que a vegetação desempenha um papel fundamental na manutenção da umidade, isto é, regula a quantidade de água existente no ar. Em contrapartida, a retirada desse ambiente verde impede a retenção de corpos hídricos, contribuindo, assim, para uma menor disponibilidade de chuvas que seriam captadas pelos reservatórios das hidrelétricas. Desse modo, infere-se que a diminuição desse recurso limita o funcionamento desse setor e, consequentemente, ameaça a oferta de energia para a população.

Ademais, cabe destacar que a ausência de uma matriz diversificada contribui para o fomento de tal problema. Primeiramente, é necessário destacar que o Brasil localiza-se na faixa intertropical do planeta, de modo que a importância de tal fator revela-se na disponibilidade de matrizes energéticas alternativas, como a eólica e a solar. Entretanto, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, cerca de 67% da energia destinada a população provém de fontes hídricas. Nesse sentido, observa-se o sobrecarregamento de um sistema que depende exclusivamente de água para o seu funcionamento, no qual vê-se afetado diante de pautas pouco preservacionistas.

Em suma, diante dos argumentos citados, cabe ao Ministério do Meio Ambiente o aumento da fiscalização em áreas ambientais, a fim de contribuir para a diminuição do desmatamento ilegal e a cadeia de degradação no qual é responsável pela alteração do ciclo hídrico e por consequência impactos no setor energético. Por fim, compete ao Governo Federal a elaboração de projetos que visem subsidiar a implementação de fontes alternativas de energia, a fim de proporcionar um equilíbrio na distribuição de eletricidade para a população. Dessa forma, será possível mitigar tal problemática.