A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 17/11/2021

“Construímos muitos muros  e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista Isaac Newton pode facilmente ser aplicada à crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia, já que essa problemática é marcada na sociedade por concentrar a contrução de barreiras sociais e a escassez de medidas para a sua erradicação. Esse cenário nefasto occore não só em em razão da displicência governamental, mas também devido à lógica capitalista.

Nessa perspectiva, é fulcral pontuar que a falta de água deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. A título de exemplo, o insigne pensador Zygmount Bauman, sociólogo polonês, defende a ideia de que algumas instituições deixaram de exercer sua função sociais, operando como “zumbis”. À luz da lógica baumaniana, o descaso público frente à falta de recursos de recursos naturais, expõe a face zumbificada do Governo, dado que, embora seja responsável pelo desenvolvimento sustentável da nação, essa instância se omite de sua função social, agravando o revés. Isso promove, pois, uma adversa conjuntura: devida à indiferença dessa esfera social, parte do tecido civil sofre com o aumento da conta de luz, em decorrencia dos impactos da crise hídrica na geração de energia. Logo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Denuncia-se, outrossim, a catalização do problema devido ao monopólio da geração energética. Nesse sentido, o filósofo inglês idealizador do liberalismo Adam Smith, defende a diversidade de meios de produção para que um país seja economicamente desenvolvido. Sob essa lógica, o governo brasileiro, ao passo que prioriza as hidrelétricas - caracterizada pela dependência de água -, não buscam diversificar suas matrizes energéticas, ficando a mercê de crises hídricas que causam várias perturbações no corpo social, que poderiam ser evitadas. Dessa forma, é inadmissível que esse cenário passe a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a crise hídrica. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Economia - órgão responsável pelo desenvolvimento econômico- destine verbas para a diversificação da matriz energética brasileira, como a produção de energia eólica, por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, no intuito de se prevenir para uma possível incapacidade do sistema hidrelétrico. Assim, o Estado sairá do seu papel inerte e cumprirá sua função social, tal como defende Zygmount Bauman.