A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 17/11/2021
A obra literária “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, retrata a vida de retirantes nordestinos tentando escapar da seca e miséria que assola a região nordeste. Analogamente, diversos brasileiros convivem com os impactos da crise hídrica e as consequências em outros setores que a mesma provoca, em exemplo na geração de energia elétrica. Essa situação é agravada em especial pelas altas taxas de consumo de água em grandes núcleos urbanos no contexto de fala do mesmo. Desse modo, aprofundam o cenário não somente o gerenciamento inadequado dos recursos hídricos, como também a omissão estatal.
Nessa perspectiva, evidencia-se a crescente demanda acerca do recurso em especial nas metrópoles, como um vetor para a escassez da água nesses espaços. Isso resulta em transtornos como constantes quedas de energia, devido ao fato de que nos grandes centros urbanos a principal fonte de geração de eletricidade é a água, ou até mesmo políticas de racionamento, que deixão moradores sem acesso ao recurso hídrico por longos períodos. Acerca disso, o site O Globo publicou um estudo revelando que apenas 30% da energia produzida não era advinda de de usinas hidrelétricas, evidenciando ainda mais a dependência do recurso pela sociedade. Sob essa óptica, é importante ressaltar que com as crescentes nos indícies de crescimento populacional em grandes metrópoles e a falta de investimentos em outras fontes de energia as adversidades tendem a piorar.
Além disso, cabe ressaltar a inoperância governamental no que tange a gestão dos recursos hídricos. Nesse contexto, constata-se que o uso exagerado e contínuo dos combustíveis fósseis são responsáveis pela intensificação do aquecimento global que acaba promovendo mudanças climáticas, aliado a isso, os altos índices de desmatamento e queimadas ocasionam uma redução nos níveis de precipitação. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Amazônia brasileira perdeu 87.762 km² para desmatamento ou queimadas ao longo dos 11 primeiros meses de 2020. Com efeito, verifica-se a má gestão governamental no controle dos problemas ambientais, especialmente pela falta de políticas públicas eficazes para superar os desafios relacionados à escassez hídrica.
Portanto, são necessárias medidas operantes para a resolução da problemática da crise hídrica e seus impactos na geração de energia. Para isso, cabe às empresas de distribuição de água, em muito dos casos são privadas e contratadas através de licitações com prefeituras, desenvolverem horários flexíveis de racionamento do recurso em grandes cidades, como São Paulo, com o intuito de evitar redução dos niveis de armazenamento de reservatórios. Dessa forma, grandes parcelas da sociedade deixaram de sofrer com as adversidades das crises hidrelétricas do país.