A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 02/08/2022

O Brasil é o país que contém o maior volume de água do planeta Terra - cerca de 12% de toda água doce existente - seja na forma de rios, lagos ou aquíferos. A abundância desse recurso propicia o investimeto em hidrelétricas para a geração de energia. Paralelamente, a matriz energética hidráulica opuca um espaço, maior do que o necesário e indicado, na produção de energia brasileira. Por possuir uma grande extensão territorial, o Brasil tem o luxo de poder contar com outras matri- zes energéticas, capacidade que deveria ser melhor aproveitada pelos governos.

Ter dependência em uma forma de produção de energia é prejudicial para qualquer país. Consoante com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - a energia hidrelétrica, em 2021, correspondeu a 12,6% de toda produção de energia nacional. Apresentar porcentagens expressivas em apenas uma matriz energética evidencia dependência e deixa a Federação sujeita às inter-

péries climaticas, pondo em risco sua economia. A exemplo, em 2013, 70% de toda energia elétrica brasileira era provida das usinas hidrelétrias, bastou apenas uma crise hídrica para que, mais de 1 milhão de pessoas não tivessem luz.

Recentemente, em 2020, o Brasil passou por um fenômeno climático chamado La Niña, que confere menor volume de chuvas na região do extremo oeste do Paraná, região onde se encontra a maior usina hidrelétrica binacional, Itaipu. Esse acontecimento acarretou em secas históricas e o racionamento da água disponível para o consumo no Estado do Paraná, ainda que o consumo de água do agronegó-

cio permanecesse constante. Diferentemente do Brasil, países como França, Ale-

manha e Inglaterra não dispõe de grande incidência solar ou fortes ventos alísios, por isso dependem de matrizes como o gás natural ou a nuclear.

Ante o exposto, o Ministério de Minas e Energia MME) deve, com urgência, trabalhar em propostas que promovam variabilidade nas matrizes energéticas, a fim de que nenhuma seja o principal motor da produção de enegia. Alternativas para a produção hidráulica são, por exemplo, aproveitar os fortes ventos alísios no Ceará ou a grande intensidade luminosa em Minas Gerais. Medidas como essas tendem a diminuir os gargalos na economia brasileira, decorrentes da dependência na matriz hidrelétrica, de maneira lenta, porém eficaz.