A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia
Enviada em 02/10/2022
O Brasil é o detentor das maiores reservas de água doce do planeta. Ainda que apresente tamanha riqueza, nota-se que o volume hídrico está distribuido hetero-
geneamente no território. Nesse sentido, algumas unidades federativas ficam su-
jeitas a crises hídricas e suas consequências, tal qual o encarecimento da energia. Tendo isso em vista, é válido afirmar que a dependência de hidrelétricas no país favorece a ocorrência de crises energéticas e contribui para a emissão de gases do efeito estufa em momentos de falta de recursos hídricos pelas termoelétricas.
Em primeira instância, é importante destacar que a concentração da matriz elé-
trica na produção hidrelétrica favorece o acontecimento de crises energéticas. Segundo a Agência Internacional de Energia, em 2021, 73% da energia elétrica do Brasil provinha de usinas hidráulicas. Isso decorre de políticas de governo, princi-
palmente da década de 70, as quais promoveram a construção de grandes usinas, como a Itaipu Binacional, e aumentaram a oferta de energia no país, porém con-
centraram a produção basicamente em um modelo único. Como resultado disso, quando o país fica submetido à falta de água, ocorre a diminuição da produção e o consequente encarecimento da tarifa de luz, afetando principalmente as popula-
ções mais carentes e, em muitos casos, deixando cidades inteiras sem energia.
Além disso, cabe ressaltar que, em momentos de crise hídrica, a ativação de usi-
nas termoelétricas contribui para a emissão de gases poluentes na atmosfera. Em decorrência da combustão do carvão e do gás natural, milhares de toneladas de gás carbônico e compostos de enxofre são emitidos para a produção de mais ener-
gia. Consequentemente, ocorre a intensificação do aquecimento global, a popula-
ção fica exposta a poluentes e se formam as chuvas ácidas. Portanto, a dependên-
cia do modelo hidrelétrico torna-se uma problemática ambiental na falta de água.
Desse modo, é necessária a tomada de medidas que reduzam a subordinação do país às hidrelétricas. Por isso, cabe ao Ministério de Minas e Energia promover a di-
versificação da matriz elétrica brasileira. Essa mudança deve ser realizada por meio de construções de usinas de fontes alternativas, como a luz solar e o vento, de modo a aumentar a importância desses modos de geração de energia e tornar o Brasil menos dependente de seus recursos hídricos e suas usinas hidrelétricas.