A crise política e a sociedade: como contornar divergências políticas nas relações sociais?

Enviada em 02/10/2019

A Ditadura Militar, governo cujo poder político centralizou-se em órgãos militares, perdurou no Brasil entre o período de 1964 à 1985. Nesse contexto, por ser um regime antidemocrático e de caráter totalitário, tal modelo governamental visava a mínima e restrita participação popular perante as decisões políticas que arbitrassem a cidadania. Assim, as propagandas institucionais e políticas constantes, objetivavam de forma direta, a cultuar a personalidade do líder, ou líderes, ou mesmo o país, para manter o apoio da opinião pública. Desse modo, ver-se um panorama degradante e sintético, posto que a falta de um questionamento contundente pelas esferas midiática e social é uma marca constante no Brasil.

Em primeira análise, a limitação da participação deliberada do usuário na internet, está intimamente ligada à disponibilização de oportunidade para que o mesmo possa exercer a sua livre opinião. Nesse mesmo viés, tais consequências advindas disso foram apresentadas em um dos episódios da série  televisiva americana “Black Mirror“, no qual um professor separou a sua respectiva turma em dois grupos e forneceu à ambos informações distintas sobre o mesmo assunto. Logo, ao colocar os alunos para debater acerca do que foi dado, antagonismos emergiram, pois cada grupo tomou as informações que recebeu como verdade absoluta. Isso mostra que o posicionamento à respeito de determinadas informações pode influenciar no comportamento social negativamente.

Por conseguinte, a influência da esfera factível atinge também o âmbito intelectual. Visto que isso ocorre na medida em que, ao posicionar-se à respeito do conteúdo previamente exposto de acordo com seu perfil na internet, o indivíduo reprimi o contato com opiniões públicas que divergem da sua, o que compromete significativamente a construção de seu senso crítico e de sua capacidade de diálogo. Dessa maneira, surge uma massa considerável de internautas alienados que visam justificar a sua premissa a partir da incitação de mensagens violentas contendo conteúdo abusivo – conhecidas popularmente, como “Discurso de Ódio” –, ferindo a integridade racional do sujeito.

Destarte, é mister a união entre a amplidão midiática e a sociedade a fim de mostrar a essencialidade da reeducação dos cidadãos para a eliminação dessa prática no ambiente civil e exequível. Para tanto, urge que, o Ministério de Educação e Cultura (MEC), por meio de uma legislação eficaz referente ao empecimento, promova a inclusão da disciplina de Educação Digital na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), detalhando o uso cabível, o respeito e o repto de relações saudáveis na internet, com o fito de liquidar as divergências sociais preexistentes. Dessa forma, será possível tornar a atmosfera cibernética, um lugar mais seguro e democrático para a agremiação contemporânea.