A crise política e a sociedade: como contornar divergências políticas nas relações sociais?
Enviada em 22/10/2019
Sob a perspectiva histórica, após a Revolução Francesa, durante o século XVIII, a extrema polarização entre o partido Jacobino e o Girondino causou a fragilização da nascente democracia francesa e mediatizou a volta do absolutismo com Napoleão Bonaparte. Nessa óptica histórico-social, a reconstrução desse cenário, o qual a partidarização exacerbada enfraquece os princípios democráticos, sucede-se na sociedade brasileira pela ausência de uma formação política educacional dos cidadãos. A partir disso, observa-se as políticas públicas socioeducacionais como medidas preferíveis frente as divergências políticas violentas nas relações sociais.
Nesse contexto, o sociólogo Stuart Hall, em sua obra “A identidade cultural na modernidade”, concebe o diálogo das ideologias partidárias como fulcral para o estabelecimento da democracia, uma vez que essa é fundamentada no respeito à diversidade. Por esse panorama, a educação política é essencial para a formação efetiva de um regime democrático, ao passo que proporciona os preceitos constitucionais e ensina a tolerar e dialogar com o pluralismo ideológico do corpo social. Dessa maneira, a ausência dessa matriz educacional proporciona a presença de lateralizações intolerantes com a diversidade ideológica, já que verão os lados opostos aos seus preceitos individuais como oponentes em uma disputa pela supremacia de uma ideologia, o que não é razoável.
Ademais, segundo o estudo da Organização Não Governamental Safernet Brasil, a qual atua para um ambiente online livre e seguro, durante o segundo turno das eleições de 2018, foram registradas 39 mil denúncias de ataques de ódio, preconceito, discriminação e discursos violentos motivados por competições de ideais. Mediante esse dado, nota-se um cenário análogo ao da França após a Revolução Francesa, em que a democracia se enfraquece com disputas ideológicas supremacistas, as quais desrespeitam os princípios democráticos de tolerância e diálogo. Dessa forma, a alta taxa de incomplacências fundamentadas em discordâncias de ideias denota a carência de formação política.
Portanto, é dever do Estado agir no sentido de fomentar a criação de um corpo social tolerante para que a experiência democrática seja pautada no intercâmbio ideológico. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação elaborar e executar um plano nacional educador político, contemplador de aulas nas escolas, cursos em centros comunitários e propagandas nos canais televisivos e digitais sobre preceitos básicos constitucionais, complacência de ideologias e repúdio aos discursos violentos por meio de investimentos orçamentários na Secretaria de Comunicação Social e na Secretaria de Gestão Escolar para fortalecer a democracia brasileira. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas socioeducacionais para mitigar as divergências violentas nas relações sociais.