A crise política e a sociedade: como contornar divergências políticas nas relações sociais?

Enviada em 01/05/2021

O processo de impeachment movido contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, se converteu em violência física, sendo necessária a construção de um aparato de segurança, com o objetivo de separar grupos sociais que requeriam a saída da Dilma, como também os seus adeptos, na qual defendiam a continuidade do governo nas votações na Câmara e no Senado. Esses tempos de divergência política tem sido palco para a intolerância e consequentemente a violência, onde a troca de ideias e o diálogo tem sido diminuídos e os discursos de ódio se encontram em constante crescimento, principalmente no mundo tecnológico.

É importante pontuar, de início, que posteriormente ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma na eleição presidencial de 2014, o cenário de divergências políticas e intolerância permanecem na sociedade. Cabe ressaltar que na época contemporânea de instantaneidade das informações com advento da comunicação pela rede mundial de computadores, em seus inúmeros ciberespaços; as manifestações públicas de discursos de ódio encontram nas redes sociais um campo fértil para sua propagação, consequentemente, pode-se constatar a dificuldade na troca de ideias e na possibilidade de liberdade de expressão sobre um determinado pensamento político sem que tenha conflitos sociais. Sendo assim, o Brasil foi tomado por uma onda de intolerância e pela busca incessante de determinados indivíduos em silenciar qualquer opinião contrária. Dessa forma, é de extrema importância a consolidação de um diálogo eficaz e a implementação da tolerância nas relações sociais, com o objetivo de consolidar a harmonia e o respeito na sociedade brasileira.

Cabe ressaltar que a falta de coesão dos grupos reflete em sensações de desconforto e tristeza perante a esse quadro deletério, já que, segundo o psicólogo social Cláudio Anastácio de Paula, parte da identidade do indivíduo é atacada nesse contexto. De acordo com Cláudio, os indivíduos inseridos nesse panorama são pessoas que encontraram nesse desenho social e político algo que sintoniza com os valores que construiu e aos quais foi apresentada desde jovem. Desse modo, quando o indivíduo não encontra respaldo, a sensação de abandono é inevitável, e nesse momento começam a surgir determinados reflexos na saúde, como a ansiedade, fobia social e depressão.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para contornar as divergências políticas nas relações sociais. O Poder Público, responsável por garantir a prática da cidadania nacional, juntamente à mídia, deve incentivar que as pessoas ponderem as suas atitudes danosas quanto as suas discordâncias políticas e que o respeito seja estabelecido, por meio de propagandas nas televisões, e principalmente, nas redes sociais. Com isso espera-se uma sociabilização harmônica e livre de discursos de ódio.