A crise política e a sociedade: como contornar divergências políticas nas relações sociais?
Enviada em 30/09/2021
Na antiga Grécia, a pólis ateniense destacou-se devido ao desenvolvimento da democracia que visava, sobretudo, o bem-estar de todos os cidadãos. Entretanto, no século XXI, o real sentido dessa forma de governo está sendo desvirtuado no Brasil para garantir a manutenção dos interesses pessoais de representantes políticos. Nesse contexto, o histórico de promessas não cumpridas, bem como a falta de representatividade, corroboram para o sentimento de descrença por parte da população. Nesse sentido, convém analisar as causas e as soluções viáveis para atenuar tal problemática.
Deve-se analisar, de início, como a negligência governamental em relação aos problemas estruturais, como a saúde, por exemplo, contribuem para esse impasse. De forma análoga à série brasileira “Sob Pressão”, pode-se afirmar que o sistema público de saúde realmente possui um déficit em sua infraestrutura. Como apresentado na ficção, os insumos básicos não suprem a demanda de pacientes, sendo assim, a não efetivação do acesso à saúde evidencia a transgressão dos direitos presentes na Magda Carta, como também proporciona a insatisfação da população mediante a falta de comprometimento dos políticos em relação a esse óbice, que afeta o bem-estar social.
Somado a isso, é essencial compreender como a falta da representatividade política permite a manutenção da incredulidade na administração do país. O Brasil apresenta um histórico excludente em relação à participação feminina no sistema de governo, visto que somente após a década de 30 as mulheres conquistaram o direito ao voto. Dessa maneira, essa conjuntura reflete, hoje, na ausência majoritária de representantes do sexo feminino nos cargos representativos. Um bom exemplo que concretiza esse cenário é o fato do país apresentar somente uma presidente em toda a sua história política, logo, a descrença no governo persiste devido a não identificação dos eleitores com os candidatos.
Diante disso, é necessária uma efetiva por parte do governo, instância máxima de administração executiva, por meio do Ministério da Educação, que consistiria em inserir o planejamento escolar debates e palestras educativas a respeito da importância de exercer efetivamente a cidadania, a fim de conscientizar os estudantes desde a base a avaliar criticamente a conduta dos candidatos antes de elegê-los, com objetivo de diminuir a corrupção governamental e garantir os direitos essenciais presentes na Constituição. Ademais, a mídia deve promover campanhas incentivadoras por intermédio dos rádios, canais abertos da televisão e publicação nas redes sociais, com o objetivo de incentivar a candidatura das mulheres e para que, gradativamente, essa parcela da população seja, de fato, representada.