A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 26/09/2019

A luz da liberdade cultural

Democratizar a cultura consiste em torná-la popular e acessível a todos, algo distante da atual situação brasileira. Segundo o escritor André Malraux, a cultura, em todas suas formas, capacitou o homem a ser menos escravizado ao longo dos séculos. Logo, é axiomático inferir a importância da acessibilidade por meio da correta distribuição geográfica e do incentivo ao interesse pelo patrimônio cultural brasileiro, a fim de tornar os cidadãos seres cada vez mais críticos e dificilmente alienados.

Mormente, fora das regiões metropolitanas, o acesso à cultura torna-se praticamente inviável. Consoante a dados de 2010 do IPHAN, cerca de 70% das cidades do Rio de Janeiro possuem exposições de artes plásticas, enquanto 72,3% dos municípios do país não apresentam nenhum tipo de exposição. Essa situação ilustra a concentração geográfica que inibe o alcance por parte da população, não só a exposições, como também a materiais literários, cinematográficos e teatrais.

Outrossim, o desinteresse da sociedade, que não se sente pertencente à cultura produzida, é desafiador. A indústria cultural, a qual visa lucrar com conteúdos pouco educativos, faz com que o conteúdo de um museu ou de um espetáculo torne-se pouco atraente. Isso remonta à importância da contextualização do indivíduo ao processo educacional e enriquecedor envolvidos no hábito da participação nesses eventos.

Nesta conjuntura, urge que o setor cultural do Ministério da Cidadania invista na reorganização geográfica, por meio da construção de centros culturais, como cinemas e teatros, no interior do país, visando a maior acessibilidade destes. Em parceria, o Ministério da Educação deve garantir, desde o ensino primário, que a população massiva consuma produções artísticas através de palestras e visitações semestrais a esses centros, de forma que essas medidas enalteçam a sua importância educacional. Destarte, a luz da liberdade crítica que por meio da cultura permite ao indivíduo não ser escravizado, como Malraux afirma, chegará verdadeiramente a todos os brasileiros.