A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 23/09/2019

Em Atenas, na Grécia Antiga, o acesso ao saber e à política era exclusividade dos considerados cidadãos atenienses, os eupátridas, classe composta por indivíduos de origem nobre. Análogo a esse período arcaico da História, o Brasil do século XXI expõe uma face segregacionista, a qual afasta parte significativa da população da produção cultural e da tecnologia. Sendo assim, urge a análise do principal fator potencializador desse fenômeno e seus efeitos na sociedade.

Primeiramente, atribui-se ao quadro disfuncional da política brasileira como o grande gerador da desigualdade no país. A esse respeito, há a veiculação nacional diária de notícias que denunciam cortes de investimentos em iniciativas públicas que visam o bem-estar dos cidadãos, fato que evidencia uma política que está a serviço dos próprios componentes e da elite, enquanto muitos encontram-se em situação de desamparo e privação de direitos fundamentais, principalmente no tocante ao âmbito educacional. Assim, é preocupante que, em um estado democrático, os eleitos pelo povo sejam justamente aqueles que corroboram a sua miséria.

Em segundo lugar, é importante salientar o direcionamento impositivo do cidadão brasileiro ao subemprego e a condições de vida pouco satisfatórias em razão desse entrave. Nesse sentido, de acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente uma ínfima parcela da nação usufrui plenamente das facilidades da informática e recursos digitais, realidade que exclui profissional e socialmente os indivíduos de baixa renda da possibilidade de competir por empregos qualificados perante um mercado de trabalho cada vez mais exigente e um mundo hiperconectado. Diante desse panorama, é notório que medidas devem ser adotadas em prol do bem comum e da adequação de todos ao contexto e demandas da contemporaneidade.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Cidadania deve promover a democratização da cultura e da educação, por meio da criação e melhoria da infraestrutura de bibliotecas públicas em todo o território nacional, com vistas a garantir espaços gratuitos e de qualidade para o desenvolvimento da população. Tal ação oferecerá às comunidades o acesso a livros e materiais didáticos atualizados, bem como computadores conectados à internet para livre estudo e oficinas semanais ministradas por técnicos de informática, direcionadas àqueles que possuem dificuldades com o uso das ferramentas. Feito isso, a negligência em relação ao povo carente será amenizada e o Brasil poderá ser considerado, de fato, um país coerente com seu regime e com seu tempo.