A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 27/08/2019
Você tem fome de que?
Em 1987 a banda brasileira Titãs lançava a música “Comida”. Composta por Arnaldo Antunes, “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!” virou um dos refrões importantes da história da música brasileira; foi usado em propagandas, entoado nos protestos como palavras de ordem… entretanto, apesar de rica e diversificada, o Brasil ainda está longe de colocar este refrão em prática e estender o acesso à cultura a todas as classes sociais.
Primeiramente, é notável que o acesso às mostras culturais no Brasil é escasso e caro. Segundo dados do Ministério da Cultura, a maioria dos brasileiros nunca visitou um museu e não tem acesso à internet. A princípio, a leitura parece ser uma alternativa com boa relação custo/benefício, entretanto, os dados informam que os brasileiros não possuem o hábito de leitura e que livros são extremamente caros para a população das classes mais baixas. Ainda segundo as informações, a maioria dos municípios brasileiros não possui bibliotecas, o que dificulta ainda mais o acesso aos livros. Espetáculos de dança também não estão inseridos na vida dos brasileiros, que, apesar de saírem para dançar, não tem o hábito de frequentar esses espaços (menos de 30% o fazem). Apesar de já existirem iniciativas que visem inserir a cultura na vida dos cidadão, como o Vale-Cultura, apenas meio milhão de trabalhadores brasileiros foram beneficiados com os cinquenta reais mensais que o programa oferece.
Além disso, é necessário ir mais afundo e perceber que há um certo preconceito com a profissão dos artistas em âmbito nacional. Segundo dados do IBGE, 50% das pessoas que atuam com artes trabalham por conta própria e/ou não possuem carteira assinada. Isso acaba criando um prejulgamento, de que a profissão é apenas um hobby e faz com que a mesma acabe sendo subjugada.
Sendo assim, é preciso criar medidas de incentivo à cultura e expandir as iniciativas já existentes. O Ministério da Cultura deve estudar a parceria com editoras para a criação de subsídios, com a finalidade de diminuir o custo dos livros. Essa mesma ideia pode ser expandida para museus, teatros, cinema… O Vale-Cultura também é uma ferramenta que deve ser ampliada, não só para os trabalhadores da CLT, mas para estudantes da rede pública e jovens de baixa renda. Por último, o governo federal deve realizar ações publicitárias que visem incentivar pessoas das classes menos abastadas a frequentarem esses espaços como cinemas, teatros e museus, para que deixem de se sentir intimidadas nesses lugares. Nos anos 80, os Titãs foram a voz do povo brasileiro, entoando que só comida não era suficiente. Segundo Platão, a arte é o alimento da alma, e é disso que o povo brasileiro tem fome. Compartilhar o alcance a cultura é oferecer um cardápio diverso e rico ao cidadão.