A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 28/08/2019
Segregação cultural
“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, a clássica música de Jorge Ben Jor evidencia a imensidão do Brasil ao que se refere à cultura. Entretanto, essa vasta riqueza não faz parte do cotidiano de muitas brasileiros, uma vez que a baixa renda da população dificulta o acesso a teatros, festas e jogos. Desse modo, cabe analisar com maior amplitude as causas e consequências dessa divisão cultural das classes econômicas no país.
Em análise primária, cabe ressaltar os agentes corroboradores desse fator no país. A conhecida foto de um condomínio de luxo, na cidade de São Paulo, em contraste com um bairro de baixa renda, logo ao lado, evidencia que o país é palco de uma enorme diferença entre padrões de vida. Para comprovar, dados da ONU, Organização das Nações Unidas, evidenciam a 10° posição do Brasil no ranking de desigualdade social, em relação com outros países. Esse fator dificulta a interação dos mais pobres na cultura brasileira, tendo em vista que a maioria das atrações cobram entradas de alto custo. Para ilustrar, os ingressos dos jogos de futebol da Copa América de 2019 podem chegar ao valor de 900 reais. Logo, é possível compreender que a cultura brasileira, de forma imoral, também sofre divisão por conta das classes sociais, amplamente estudada pelo sociólogo Karl Marx.
Por conseguinte, o acesso à história e tradição do país, que deveriam fazer parte do cotidiano de todos os brasileiros, se tornam restritos à classe dominante. As bibliotecas das escolas públicas, por exemplo, não apresentam as mesmas condições estruturais das bibliotecas de ensino privado. Além disso, a trilogia Jogos Vorazes, a título de exemplo, retrata a desvalorização dos distritos mais pobres, os quais eram obrigados a ocuparem os piores lugares nos eventos realizados pelo governo. Assim, os indivíduos de baixa renda perdem seus valores e direitos nessa sociedade que restringe a rica cultura brasileira aos mais ricos da população.
Diante dos fatos supracitados, portanto, urge que medidas sejam providenciadas para a erradicação desse pertinente imbróglio. Para que os indivíduos, desde os anos iniciais, tenham contato com a cultura brasileira e busquem valorizá-la, cabe ao Ministério da Educação e Cultura - MEC - o oferecimento de oficinas semanais nas escolas públicas, que, por meio de apresentações (como danças e teatros), atinja um grande contingente de alunos carentes. Ademais, o MEC, em parceria com emissoras televisivas, deve criar um programa destinado a transmitir a vasta cultura brasileira, como as diversas culinárias existentes, com a intenção de interar todas as classes econômicas e garantir uma sociedade unida. Somente assim haverá a valorização do bem mais valioso do Brasil: sua cultura.