A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Democratizar a cultura é permitir a acessibilidade à bens culturais a todos de forma igual, para assim construirmos uma consciência crítica da realidade. No entanto, é conhecido que essa democratização no Brasil não é de fato executada, em vista que, um dos principais problemas que impossibilita essa ação é a desigualdade social.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a realidade social do país reforça a segregação cultural. De acordo com a pesquisa do IBGE de 2017, 10% dos mais ricos do Brasil são responsáveis por cerca de 55% do consumo cultural do país. Além disso, ocorre também uma má distribuição geográfica que impede o acesso à cultura, pois os teatros e museus, se encontram nas regiões centrais ou áreas de maior poder aquisitivo, isto é, longe das periferias. Assim, cidadãos de menor prestígio social, além de tempo, necessitam usufruir do precário sistema de transporte público, o que constitui um paradoxo conveniente para a continuidade dos abismos sociais
Nesse sentido, é primordial que a população perceba a importância desses itens para a formação de um indivíduo, entretanto, a educação básica é falha assim como o ingresso às programações de cultura. Sendo assim, um país que deveria ser símbolo de variedade, de mistura de tons e costumes, acaba se resumindo a uma cultura monocromática gera a falta de interesse dos próprios cidadãos. Sabe-se que é importante garantir o acesso à leitura, ao teatro, ao cinema. Possibilitar, dessa forma, a aproximação – o que tem sido pouco feito – sem que se crie essa consciência no povo brasileiro não é resolver, mas mascarar o problema da falta de democratização.
Torna-se evidente, portanto, que o processo de aproximação do povo brasileiro com seu patrimônio cultural caminha a passos tímidos. Um bom caminho seria a promoção dos costumes de grupos desprivilegiados socialmente, tanto por parte do governo quanto da mídia e até iniciativa privada – patrocinadora – para divulgação e valorização das práticas e manifestações, por meio de programas de televisão, campanhas e até festivais temáticos. Além disso, a criação de locais de estímulo ao contato das crianças, adolescentes e adultos com o universo literário e cinematográfico, por exemplo, poderia representar uma tentativa de democratização mais tangível e realizável.